domingo, novembro 11, 2007

A falta de chá do rei de Espanha

Aos reis das democracias europeias cabe o papel de cicerone, anfitrião de bailes e jantaradas diplomáticas, acenador ao povo e paparazzi e... pouco mais. É por isso que essas democracias com reis podem ser democráticas, ao contrário das monarquias asiáticas e africanas, onde os reis têm reais poderes, e logo, a democracia não tem lugar.

Foi nesse papel que João Carlos de Espanha recebeu ao longo de décadas alguns dos mais sanguinários monarcas das Arábias ou ditadores fascistas da América do Sul. Sempre com um sorriso e mil e uma etiquetas. É esse o seu papel. E a hospitalidade hipócrita sempre foi um dos mais importantes pilares da paz entre as nações.

Por tudo isto não há desculpas para o "porque não te calas?" que dirigiu a Hugo Chaves na cimeira iberoamericana. Que Chaves seja ele próprio trauliteiro não é novidade, e há muito que é unânime. Aznar tem as costas mais largas, mas trauliteiro é e será. Traulitadas são luxo de quem é eleito, que o diga Jardim eleito já sei lá quantas vezes (pois, também não há limites na Madeira) para insultar constantemente a mão que o alimenta.

Mas que o João Carlos deixe o papel decorativo para se dedicar ao mesmo desporto já é outra conversa, ninguém votou nele para isso. E que depois ainda saia porta fora, qual puto mimado amuadinho, apenas faz com que a diplomacia espanhola surja aos olhos do mundo como infantil e hormonal.

Não, as lutas de galos não são exclusivo tuga. Mas isto de haver garnisés à mistura, na Iberoamérica, é exclusivo espanhol.

PS: Por certo que o João Carlos é, à custa da sua traulitada, o herói do dia para os mais ofendidos com as traulitadas chávicas. Isto das traulitadas depende sempre de onde soprem...

10 comentários:

Nuno disse...

A má educação parte em primeiro lugar de Chavez - por interromper Zapatero, por insultar alguém que não estava presente e que foi eleito pelos espanhois. As interrupções foram constantes e de alguém que quer mudar a constituição para ficar até ao fim dos seus dias no poder. As questões que as monarquias parlamentares podem levantar é outra discussão mas dizer que o papel de Juan Carlos é meramente decorativo parece-me demasiado simplista. O seu papel na transição após a morte de Fanco e o seu trabalho de bastidores na diplomacia e política internacional pode não ser visível mas dá frutos.

cossimo disse...

"O seu papel na transição após a morte de Fanco e o seu trabalho de bastidores na diplomacia e política internacional pode não ser visível mas dá frutos."
Unha mentira repetida mil veces,...bla, bla, bla

cossimo disse...

A historia da transición española é a do Gattopardo: que todo mude para que todo siga na mesma.

boss disse...

Essa estória do rei enquanto herói da transição democrática acho-a sempre divertidíssima, além de um atestado de estupidez aos espanhóis. Lá porque as coisas aconteceram assim, não significa que não pudessem ter acontecido de maneira diferente, e ainda com melhores resultados. É que feitas as contas, a mim parece que o grande feito do Joãozinho foi ter conseguido que a monarquia voltasse... garantiu o seu poleiro.

E veja lá nuno, por cá, a transição começou mais cedo e nem foi preciso rei algum! Aliás, se é para apostar, eu aposto mais no 25 de Abril do que no Juanito, para o papel de impulsionador da transição democrática espanhola... o medo dos vermelhos também deu alguns bons frutos ;)

boss disse...

Além de que eu não digo que o seu papel "é meramente decorativo", mas que deveria ser meramente decorativo. Se quer ter um papel mais relevante, o lógico, e democrático, é que se sujeite a eleições.

Mas este tipo não está muito habituado a ser contrariado.. até se sequestram revistas dos quiosques espanhóis, se as capas não agradam à família real.. veja lá!

PS: Acho o máximo ver como algumas pessoas (não sei se é o seu caso nuno) criticam a intenção de Chávez de extinguir o limite de mandatos presidenciais, proposta que de resto leva a referendo, para ao mesmo tempo aplaudirem o cargo vitalício e herdado do rei de Espanha...

Nuno disse...

A discussão e troca de ideias é salutar.
No entanto, mais uma acha na figueira: para quem fecha estações de tv porque lhe são críticas, quem promove referendos a seu bel-prazer porque lhes dão jeito, não tem direito nenhum de criticar uma escolha democrática de outro país. O Aznar, quer se goste ou não, foi eleito pelos espanhois e Zapatero e o rei apenas defenderam ou tentaram defender a escolha dos espanhois. Dada a má educação e soberba de Chavez, Juan Carlos apenas fez o que outros gostariam de ter feito.

Nuno disse...

Não simpatizo com Chavez. Mas há algumas coisas q pessoalmente me dão gozo. O facto de Chavez ter sido eleito democraticamente, o facto de ser comunista, o facto de ser a Venezuela um dos principais produtores de petróleo, o facto de estar no "quintal dos EUA", o facto de provocar anti-corpos por esse mundo pseudo democrático e o facto da população viver na sua maioria na pobreza resultante do facto da falência do sistema anterior! Aquilo q tb gosto de Chavez é o facto de Bush e outros q tal não gostarem dele!
Qto ao facto dele ter fechado a TV, não esquecer q essa TV apoiou um golpe de estado contra ele, o que esperavam q fizesse? Ele não criticou a escolha democrática de Espanha, criticou o homem e chamou-lhe fascista! Qto a querer alterar a constituição a seu bel prazer, não está certo e é tique de ditador!

boss disse...

eh pá, suponho que haja aqui 2 nunos diferentes, right?

Eu também acho que em princípio os líderes de um país devem abster-se de criticar os líderes de outro, quando se tratam de eleições democráticas e nada de muito grave para os interesses do próprio país tenha acontecido. Acontece que no affair Aznar-Chávez me parece que foi o senhor Aznar o primeiro a quebrar o verniz.. como digo no post, trauliteiríssimos ambos. Aznar já chamou ditador e tirano a Chávez por várias vezes.

E pior que isso, há suspeitas não menosprezáveis de que tenha apoiado directamente o golpe de estado contra Chávez, o que constituiria uma grave ingerência num país estrangeiro.

For the record, eu também não simpatizo com o senhor Chávez. Mas não vejo as coisas a preto e branco como muitos, em Espanha também se ilegalizam facilmente partidos, sequestram-se revistas de quiosques, proíbem-se referendos propostos por líderes regionais e tem um chefe de estado não eleito.. Ou seja, como em todas as democracias, existem traços nada democráticos na democracia espanhola. Talvez menos do que na venezuelana, mas não a diferença abismal que muitos pintam.

Pretuh disse...

olá boa tarde... Não percebo muito este Sistema Politico Espanhol... Estive a ler sobre isto e pelo meu ver o Rei Juan Carlos, como pertençe e uma «monarquia incontitucional», (não sei se é este o termo certo), não deveria agir desta maneira, mesmo o Presidente Hogo Chaves ter sido deselegante como visitante... A maior diferença entre os dois, e acho que é uma das poucas, é que o Pres. Hugo Chaves expressa publicamente seus feitos e objetivos e não usa hipocrisia para o tal...

Pretuh disse...

...não estou a apoiar um nem a criticar outro, mas colocados na balança não haveria muita diferença... Tanto é, que após estas divergências todas, os dois já entenderam-se! é isso... Fiquem bem!!!