quinta-feira, novembro 15, 2007

Os anti-acordo, que é como quem diz, os anti-brasileiros

Uma breve busca por "acordo ortográfico" na Technorati transforma-se rapidamente numa viagem à xenofobia anti-brasileira crescente cá na lusitana pocilga (eu às vezes fico assim meio anti-tuga, posso?). Um dos textos mais hilariantes é o desta petição "Contra o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", contei-lhe uns 10 erros ortográficos (errados com ou sem acordo), geralmente na acentuação, mas com direito a um "distincta", assim com "c mudo", porque afinal não se lê e não, e se representa um traço de portugalidade o melhor mesmo é patrioticamente expandir o seu uso. Bom, isto tudo na ortografia, porque saltando a gramática e aterrando no conteúdo, ui ui. Por certo esta gente pensa que Camões, Eça ou Pessoa usavam todos a mesma norma ortográfica, sendo a mesma que se usa hoje (excepto esta tal gente e os teens que é + axim).

Para não perder muito tempo com essa questão, citemos então de novo Eça, agora no original, a primeira frase de A Capital: «Foi no domingo de Paschoa que se soube em Leiria que o parocho da Sé, José Migueis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia.» Já Os Lusíadas começavam assim: «As armas, & os barões aßinalados, Que da Occidental praya Lusitana» patati patatá, uma pena ter-se perdido o "ß", tão mais giro e prático que "ss". Já os "ll" que Pessoa ainda usava para escrever "ela" de prático nada tinham.

Esclarecido este equívoco, passemos aos restantes. Lê-se num blog encontrado por mero acaso, mas aparentemente ligado a uma editora nacional, a Frenesi:
«Será que alguma vez passou pelas meninges de intelectuais ou de académicos ingleses sugerirem aos políticos sequer que a língua inglesa fosse subvertida pelo refluxo das suas variantes faladas na Índia pelos autóctones? Será que os holandeses da Holanda falam hoje afrikander? Falar-se-á no centro de Madrid, porventura, galego, basco, catalão, ou alguma das muitas variantes do castelhano que pululam na América Latina?…

De vez em quando, em Portugal, abre-se debaixo dos nossos pés o alçapão dos curros da política nacional: é como um balneário cheio com uma equipa de futebol da 3.ª divisão ao fim de 90 minutos de jogo suado e vários dias de treino sem passar por baixo de um chuveiro, é como um sifão de sanita entupido. Exala o cheiro pestilento das conveniências calculadas lá entre os políticos de carreira. Um fedor analfabeto a militância ronceira nos partidos, a cocó sob o poleiro de empregos talhados à medida das suas armaduras…»
Que belíssima prosa, que elegância, que ironia fina, um primor! O primeiro parágrafo é especialmente ilustrativo dos dois principais motores do reaccionarismo anti-acordo: a ignorância e a xenofobia.

Por um lado confunde-se uma alteração na ortografia, algo superficial, sem qualquer influência na fala, gramática ou vocabulário, com algo profundo e radical, uma autêntica revolução, imagina-se. Quando afinal trata-se apenas de uma ténue e simplificadora reforma ortográfica - basicamente cortam-se com letras e acentos irrelevantes, por não terem qualquer leitura. E depois associa-se isso a uma viciada e nefasta influência estrangeira. Os exemplos dados na citação são um mimo de imbecilidade - já agora, em Madrid não sei, mas na minha portuguesíssima e pacata rua ouço muitas vezes falar russo (ucraniano?), caló e claro, no Verão o francês é rei e senhor.

Mas o mais ridículo de tudo é a ideia de que a influência brasileira representa uma ameaça para a língua que falamos, se o Brasil é, afinal, a sua única esperança. Se o português fosse exclusivamente falado em Portugal provavelmente já estaríamos a falar em portunhol e a médio prazo exclusivamente em inglês. A língua franca europeia, que se começa a impor nos meios académicos e financeiros de todo o continente, podendo-se já em alguns contextos falar mesmo em diglossia, creio.

O português sem o Brasil teria a importância do eslovaco. Quem é que quer aprender eslovaco? Mais vale aprender checo ou polaco, e assim entender o mais que suficiente do eslovaco. Que é como quem diz, mais valeria aprender italiano ou catalão, do que esse dialecto espanhol do lado pobre da península.

Mas este texto já vai demasiado longo quando o assunto é algo tão ténue como o acordo ortográfico de 1990. Não se trata de nenhuma revolução unilateral como a de 1911. Nem sequer da assimilação da grafia brasileira - algo que, não fosse a histeria nacionalista, seria também perfeitamente razoável e sensato. Não, isto é apenas um pequeno conjunto de simplificações, acordadas entre dois países (e mais alguns a ver de longe) como se de igual para igual pudessem falar. Não podem, mas o Brasil faz a gentileza e generosidade de parecer que sim. A tudo isto o tuguedo responde com pedras.

Atirai quantas quiserdes e vereis depois em cima de que cabeças cairão.

25 comentários:

Eduardo disse...

Eu, que estou longe de ser um entusiasta do acordo ortográfico, creio que devíamos avançar com a sua aplicação de uma vez por todas, por razões práticas (embora apenas putativas). Tenho pena é que não se fale de algo mais importante, como a uniformização da terminologia científica. Mas isso não é desculpa, obivamente.

boss disse...

Sublinho e subscrevo a 100% o teu comentário ;)

boss disse...

Elaborando um pouco mais, pelos posts recentes poderei até parecer um grande entusiasta, mas não sou. Choro pela perda do trema como disse já. Mas sobretudo irrito-me com o imobilismo e a xenofobia mal disfarçada da reacção anti-acordo.

Quanto à uniformização da terminologia científica pois urgentíssima é, até a nível nacional! Há meia dúzia de casos tontíssimos de diferenças parvas entre universidades tugas.

E estou para ver que nome vai ter Pequim durante os jogos olímpicos, quem resistirá ao "Beijing" do logótipo?

O Raio disse...

Parabéns pelo texto.

As citações de Eça e Camões são um primor.

É que a cambada xenófoba anti-acordo, geralmente, pensa que já o Viriato escrevia como nós...

Os ingleses gostariam de fazer uma reforma ortográfica só que não a conseguem fazer.

Bernard Shaw era um entusiasta de uma reforma ortográfica da língua inglesa, por exemplo.

A língua portuguesa é das grandes línguas uma que ainda pode fazer um acordo. É uma vantagem competitiva a utilizar.

Quanto a reformas ortigráficas, gostaria de saber o que é que estes sujeitos diriam se vivessem na Turquia de Ataturk que mudou de alfabeto! O Império Otomano utilizava uma versão própria do alfabeto árabe mas Ataturk resolveu mudar para o alfabeto latino (com algumas pequenas variações).

Creio que algumas das antigas repúblicas soviéticas da Ásia central também mudaram de alfabeto abandonando o cirílico em troca do latino!

/me disse...

Bom... Também nem todos os que serão contra o acordo serão anti-brasileiros, ou xenófobos, não generalizemos. As pessoas criam uma certa afeição à forma como escrevem...

Pessoalmente, não vejo que as mudanças sejam muito grandes. Não vejo que se perca muito com as mesmas, mas não entendo também o que se ganha. É mesmo daquelas coisas em que não me incomoda nada que decidam por mim, desde que seja com bons critérios.

boss disse...

Obrigado Raio. Creio que também na ex-Jugoslávia se chega ao cúmulo de, salvo o erro, escrever-se com o alfabeto latino na Croácia e com o cirílico na Sérvia, apenas para dar a ideia de que são línguas diferentes, quando nada mais o justificaria. Mais uma exemplo de como é a política e não a ciência e a racionalidade, a decidirem as normas linguísticas, e a criarem falsas divisões e artificiais problemas de comunicação.


/me, os benefícios não são imensos, nem muito imediatos, como digo é uma leve alteração. Mas acaba com alguns inconvenientes, simplifica e unifica o idioma escrito. Serve por exemplo para diminuir a "estranheza" que por vezes um português sente ao ler um texto brasileiro e vice-versa. Haverá sempre vocábulos que nos soam exóticos e estranhos, mas quase desaparecem as palavras que conhecemos mas estão escritas de maneira diferente.

Também facilita a vida a quem ensina o português como língua estrangeira, diminuindo o número de vezes em que diz "em Portugal é assim e no Brasil assado". Especialmente útil nas turmas com filhos de imigrantes portugueses e brasileiros, muito comuns p.ex. em Newark ou Londres.

Não é nada muito dramático - daí não entender a fúria de algumas pessoas - mas é uma mudança leve no sentido certo ;)

Musicologo disse...

Mas é preciso um acordo para quê??
Ax pexoas xá exkrevem komo kerem e tds nos entendemx por ixo pakê 1 akordo k ng vai xeguir e k daki a 10 anos já tá ultrapaxado novament por 1 geração enviesada?... Eu percebo o "Brasileiro" com algumas nuances eles percebem-me a mim com algumas nuances, alguma dúvida, dicionário ou pergunta-se... o resto é palha - a língua é para nos entendermos e comunicarmos, desde que a mensagem chegue correcta ao seu destino, tudo o resto, são meros detalhes...

Mazinha disse...

Ainda não li com a calma devida todas as modificações propostas. Mas há coisas que n se podem alterar. Por exemplo, o acento de António. Um tuga nunca será Antônio nem um brasuca António. Não há nisto nada de mal, nem de xenófobo. Pessoalmente, gosto duma língua cheia de diferenças e nuances :))

Para que conste: o exemplo do António é "ao calhas", n sei se isso está comtemplado :)

O que me preocupa verdadeiramente é que haja dos dois lados do oceano gente que não sabe alinhavar 3 frases sem erros e com sentido. Isso sim, é a morte da língua!

boss disse...

Mazinha, o caso do António/Antônio é um dos que se passa a aceitar as duas grafias, reconhecendo-se a diferença. Há de facto uma diferença na fonética e por isso faz sentido que a haja também na ortografia. Vantagem, passa a estar correcto, também, escrever António no Brasil e Antônio em Portugal. Ganha-se diversidade, nada se perde ;)

Mazinha disse...

Boss,
Realmente, acertei logo numa dessas :D
É que só tenho lido comentários, muitos deles cheios de preconceitos. Não me custa por aí além perder o C de acção, por exemplo. É um simplificação que faz sentido, como fez tirar um L ao ela, por exemplo.
Mas no fundo, acho que o português será sempre um língua "dupla", com tudo de bom que daí podemos tirar.
Aprendi com uma amiga de São Paulo a dizer "serelepe" e ela aprendeu comigo a dizer "guicha". Eu acho giro uma brasileira dizer uma palavra transmontana :) Eu uso serelepe!
Nunca precisei de nenhum acordo para reconhecer que o português falado no Brasil é interessantíssimo :)
Mas creio que essa constatação só será possível quando os tugas se deixarem de tretas e começarem a falar a sério com brasileiros. Eu tenho descoberto gente super interessante nos blogs :D

Andreia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andreia disse...

Bom dia,

Eu sou contra o acordo ortogr�fico, n�o por ser xen�foba (como querem dar aqui a entender que todos os que s�o contra s�o xen�fobos) mas por uma raz�o muito simples: a L�ngua Portuguesa � a l�ngua m�e correcto? Ent�o, vamos alterar 1,6 % da nossa L�ngua Portuguesa (l�ngua m�e) para unific�-la com os outros pa�ses que falam portugu�s, certo? A minha quest�o � se a nossa � a L�ngua M�e porque n�o mudam o vocabul�rio do Brasil e de outros pa�ses? N�o seria mais justo? Ou vai utilizar o argumento do costume: xenofobia?
Cumprimentos

AfonsoHenriques disse...

Bom, primeiro que tudo tenho de referir que n�o sou xen�fobo, nem nada tenho contra o Brasil.

No entanto sou contra o acordo ortogr�fico porque a lingua portuguesa � das poucas coisas que nos resta, e desvirtu�-la totalmente n�o me parece que seja uma boa medida.

EX:

"Oje esta um dia �mido, era otimo que o Ver�o nunca acabasse"

E algo estranha n�o? Apenas utilizei o (des)acordo ortografico

Se n�o est�o de acordo aqui fica um link e sem erros


http://www.petitiononline.com/naoacord/petition.html

O Raio disse...

Fico sinceramente espantado com tanta gente revoltada com esta história do acordo.
O acordo tem toda a lógica e, ao contrário do que muitos parecem pensar, as alterações não são só cá.
O Brasil também altera a sua forma de escrever, o trema, por exemplo, desaparece. Há até no Brasil um movimento para salvar o trema...
Depois salta-se por cima de que a norma que utilizamos actualmente tem menos de cem anos. No século XIX e princípio do XX escrevia-se com uma norma diferente.
Como é que ainda não vi ninguém, por respeito para com os nossos antepassados, pedir para voltarmos à norma antiga, antes do advento da República?
Quanto aos que acham que os outros é que devem mudar, esquecem-se que a língua portuguesa é de todos aqueles que têm o português como língua materna, portugueses, brasileiros, angolanos, etc.
Isto é que faz a grandeza do português!

boss disse...

Andreia, então nós é que devemos decidir como falam os outros? Temos um direito de propriedade especial? LOL A língua é de quem a fala. E de resto - e talvez não seja má ideia ir fazer uma reciclagem da dita - não está em causa o vocabulário, mas apenas a ortografia de uma pequeníssima percentagem das palavras. Definitivamente a maioria das pessoas anti-acordo nem têm sequer uma vaga noção do que este trata.

Afonso Henriques, já referi uma outra no post. O seu argumento é só esse? Não porque não? Desvirtua-la totalmente? Meia dúzia de "p" e "c" que não se lêem e vão à vida é uma desvirtuação total?

De resto o Raio diz tudo, a ortografia actual não tem nem 100 anos, aliás, se bem me lembro até aos anos 70 havia diferenças consideráveis na acentuação em relação à usada de lá para cá.

Porque vos é tão caro o "h" de húmido e desprezado o "ph" de pharmácia? Ou o "sc" de Sciência? Ah, esqueçam, isso era dantes...

A sério, se não é xenofobia é o quê? Um ultracomodismo incapaz de tolerar a mais ténue mudança por mais racional que seja? Depois espantem-se que surjam vozes no Brasil que advoguem a divisão da língua.. todos perderiam, mas "nós" muito mais que "eles".

Andreia disse...

Boss: Então os outros é que decidem como nós falamos, neste caso, como escrevemos? Eu vim aqui comentar apenas porque acho errado da vossa parte afirmarem que quem está contra o acordo ortográfico é xenófobo. Desculpem mas não é assim. Há pessoas contra este acordo porque acham que não vai trazer nenhum tipo de benefício e que vai ser extremamente complicado de implementar. Já imaginaram os custos de tudo isso? E qual é o benefício?
Felizmente, vivemos numa sociedade democrática e podemos expressar as nossas opiniões e respeitar as contrárias à nossa, agora insultar e/ou rotular os outros só porque pensam de maneira diferente? É triste.
Tenho amigos brasileiros e angolanos, por exemplo. Até já conversei com uma amiga brasileira sobre este acordo e ela também não concorda com o acordo, tão xenófoba que eu sou...
Mudança racional? Mas racional porquê? Eu acho que vai ser extremamente complicado escrever sem 'h's por exemplo. Vai ser uma confusão tremenda e esteticamente, na minha humilde opinião, é horrível. Nunca gostei aliás da forma como escrevem no Brasil, o que não tem nada a ver com xenofobia, porque gosto do país, percebe?
Cumprimentos

boss disse...

Andreia,

1) ninguém a impediu de falar, diga o que lhe vai na alma, pliz!

2) foi um acordo, ACORDO, não uma imposição, sugestão, o que fosse do Brasil. Não! Linguistas brasileiros, portugueses e africanos sentaram-se à mesa por longos anos e decidiram uma série de simplificações que têm duas enormes vantagens: 1) simplificam e 2) unificam.

3) não há vantagem em uma língua ter quase 300 milhões de falantes se uns escrevem assim e outros assado, isso trava o bom fluir de trocas de informação e conhecimento, que constituem a maior vantagem de se fazer parte de uma enorme comunidade. Se nos vamos fechando para o mundo lusófono, definhamos.

Portugal sem o Brasil e os PALOP estaria em breve a falar inglês...

Escrever "úmido" em vez de "húmido" é tão vantajoso quanto escrever "ciência" em vez de "sciência". E não creio que haverá grande dificuldade em aplicar o acordo... o que não há é vontade!

Andreia disse...

Voltamos ao mesmo: o que eu acho errado é que vocês apelidem os que são contra este acordo de xenófobos. Entende? Vocês têm o direito a ter a vossa opinião, nem sequer estou a discutir isso. Mas assim como eu percebo que vocês vejam benefícios nisso, vocês têm que perceber que haja quem não veja. Simples e democrático.
Cumprimentos

boss disse...

Tudo bem Andreia. Em democracia podemos sempre concordar na discordância. De acordo, discordamos.

O título do post, algo provocativo e possivelmente abusivamente generalizador, baseou-se no que fui lendo pela blogosfera. Mas confesso que a Andreia não disse nada que me fizesse mudar de opinião. Quando p.ex. escreve: «A minha quest�o � se a nossa � a L�ngua M�e porque n�o mudam o vocabul�rio do Brasil e de outros pa�ses? N�o seria mais justo?» Isto a mim cheira que tresanda a colonialismo.. a um "nós temos mais direitos"...

Bruno-R disse...

Estou totalmente de acordo com o que Andreia disse! São assuntos que têm de ser discutidos!!!!

É de um mau gosto tremendo e de uma falta de respeito perante as opiniões das outras pessoas, dizerem que quem está contra o acordo é xenófobo/racista!

Eu digo NÃO por várias razões! Como é evidente a ortografia portuguesa tem sofrido alterações ao longo dos tempos derivado da evolução da nossa sociedade para o bem ou para o mal e é inevitável, pessoalmente não vejo nenhum benefício em alterar tanto a nossa como a deles, porque não vai ser em quatro anos que iremos conseguir fazer a transição e precursões dessa alteração são bem mais profundas, basta pensarmos no ensino! Se houver a necessidade de alteração que seja discutida (e tem de ser discutida)! Este tipo de medidas e como as querem executar são medidas que não resolvem nada, simplesmente é cobrir os buracos enquanto ele cresce! Se querem realmente ajudar ou promover a relações entre os vários países de língua portuguesa, tem de se promover outro tipo de iniciativas que incentivem a ligação quer economicamente quer socialmente dos mesmos, porque basta falar com essas mesmas pessoas e entenderem que as principais dificuldades e barreiras não são as linguísticas mas sim as sociais!
Digo NÃO ao acordo, porque todos têm o direito de expressar a sua opinião, este acordo no meu entender é um assunto que deve ser discutido enquanto nação e não como mais um tópico na agenda do Srº Ministro que necessita de ser tratado! Não deverá ser por acaso que APEL se mostra “profundamente preocupada” com a situação da “não discussão” como é regido este país! Será que APEL é racista… pelas vossas palavras deduzo que sim!
É com muita tristeza que vejo não só este tipo de assuntos sempre levados para o racismo e para a xenofobia, vai ser inevitável, há pessoas que o são e não têm interesse em resolver estas situações, infelizmente há pessoas assim, e com as quais EU NÃO CONCORDO, mas é com a mesma tristeza que me sinto, quando vejo pessoas esconderem-se por detrás do racismo que tanto desprezam e utilizarem isso como arma para a não discussão dos problemas que realmente existem!
Eu como todos os outros, sinto-me cidadão do mundo, mas o interessante desse mesmo mundo é a sua evolução e diversidade de culturas que se geram, e eu pergunto-me quais são os GRANDES benefícios que advêm desta alteração em prol de cada um de nós (entenda-se Portugueses, Brasileiros, Moçambicanos, Angolanos, Cabo-Verdianos e Timorenses), quando na verdade perdemos um pouco daquilo que nos caracteriza que nos distingue e que torna a língua portuguesa por todo o mundo tão diversificada e interessante!

Paula Cruz disse...

Não vale a pena entrar por ai e começar a chamar as pessoas que são contra o Acordo, de xenófobas, o insulto não muda o que pensamos e se souber realmente o que quer dizer xenofobia não o aplicaria a esta situação.
A verdade é que uma Democracia, permite-nos acordar ou discordar e neste caso, quando depende de algo que vai influenciar todo um universo de pessoas alfabetizadas e que têm por direito o não querer alterar a sua Língua Mãe, acho muito conveniente este debate e porque não, um referendo. Visto que se perde tempo com a constituição europeia, que seja como for a nossa opinião pouco vale. Ao menos neste caso diz-nos muito respeito porque é algo que é realmente nosso. É Património Histórico Nacional Intangível, deve ser tratado com respeito e preservado.

Glaryn disse...

Todos os sábados de manhã bebo um copo de sumo de laranja fresquinho acabado de fazer e saiu porta fora para ir fazer as compras ao mercado de rua. Entre legumes frescos e peixe e umas flores para dar cor á casa, no final da ronda é certo, a mercearia do Turco. Tem a fruta bem madura e barata, o único sitio onde consigo encontrar a fruta que estava habituada a consumir quando ainda vivia em Portugal. O senhor é super simpático. Já sabe dizer "Bom dia menina", "Obrigado" e "Bom fim de semana". É interessante como certas pessoas que nem a língua do país onde vivem sabem falar correctamente mas mesmo assim têm sempre o esforço para aprender mais um pouco, se bem que mal, mas o que interessa mesmo é o esforço.

Quando estive na Alemanha a viver uns tempos, estava muito bem a ver uma montra e um Turco que ao passar por mim meteu a mão dele na minha cintura, quase tocando-me nas nádegas. Como sou uma pessoa impulsiva e que odeia abuso de liberdade, virei-me de repente e mandei-lhe uma "pêra" no ombro (visto que ele era bem maior que eu, a cara ainda ficava muito longe). Pois bem, que o senhor ficou indignado com a minha atitude e tentou-me agredir. A minha feliz sorte é que perto estava um grupo de Hooligans e saltaram em meu socorro. Após conseguirem afastar o "gajo" falaram comigo - Eu tinha que ter cuidado com os Turcos porque eles vêm de um país onde a mulher é um ser inferior, mas como estão num país livre e moderno entendem que já podem fazer o que querem mas a ideia de que a mulher é de igual direito que o homem, já não aceitam.
A verdade é que para meu espanto quase todos os Turcos que vivem na Alemanha (pelo que vi e que os próprios Alemães dizem) não são de confiança e só sabem semear terror entre as pessoas, aproveitam-se da fama Nazi que o país tem e usam as leis anti-racismo (criadas devido a esse rótulo de Xenófobos) para fazer as coisas á maneira deles. Podem até assaltar-te e se tentas defender-te és Racista e Discriminatório. Vives preso numa situação em que qualquer coisa que faças pode lixar-te a vida toda, devido a pessoas que não são desse mesmo país, que não fazem nada na vida, não pagam impostos, não trabalho (se trabalham é ilegalmente) e aproveitam-se das leis para arrancar dinheiro dos impostos que és tu a pagar.... e depois ainda espalham criminalidade ... Imagina a tua mãe ou irmã a ser violada no meio da rua por um Turco mas como ninguém quer ter problemas, ninguém vai em socorro delas... Não condeno nenhum Alemão (depois de assistir a situação social actual) em ser xenófobo, de qualquer maneira é apenas a repercussão da situação que os próprios turcos criaram...

Não sei se é razoável falares de xenofobia num caso onde pessoas só tentam expressar o seu descontentamento em Algo que ainda é uma réstia da identidade de Portugal e fazer algo daquilo que acreditam.
O que escrevi em cima foram duas histórias destintas com duas pessoas da mesma nacionalidade com comportamentos diferentes. Não descrimino nenhuma raça ou nacionalidade, descrimino pessoas que mudam de país para tentar melhorar a vida (e isso implica adaptar-se ao país para onde se muda e cumprir as suas regras) e que se aproveitam das condições existentes para usar a maldade e crueldade em seu proveito e transformar o país na precariedade do país de onde vieram.... Isso faz de mim xenófoba? Não faria muito sentido sendo eu neste preciso momento uma "estrangeira".

Enquanto á petição.... É triste ver pessoas da minha geração dizer frases como "eu vi a ele" em vez de "eu vi-o" devido a demasiada novela brasileira na televisão. Mas aí também já não sei até que ponto será mesmo falta de massa cinzenta dessas pessoas ou o significativo aumento de gafes e má linguagem em qualquer dos media. Acho que o facto de alterarem a língua portuguesa (que já por natureza é bastante complicada e com mais excepções que propriamente as situações que seguem as regras) só trará mais confusão na própria língua para além de perder as suas raízes. A situação que referis-te no início em relação ás alterações da língua portuguesa ao longo dos anos, posso dizer sinceramente que sou bastante ignorante nesse aspecto, mas tenho pena que algo como isso aconteça. Acho que seria bastante interessante se ainda falássemos latim. E para mim das duas uma:

- é melhor deixar estar as coisas como estão ou ainda se faz mais merda;
- implantem, já agora, a língua inglesa e uma globalização geral e fica toda a gente feliz (ou então não).

Desculpa lá o testamento....e qualquer erro na escrita (não estou habituada a escrever ou falar português ultimamente, infelizmente)

Greetz,

Shannax

Anónimo disse...

"(...)como se de igual para igual pudessem falar. Não podem, mas o Brasil faz a gentileza e generosidade de parecer que sim.(...)"

O que é que queres dizer com isto?

:)

casccalens

Anónimo disse...

Eu sou a favor duma ortografia unificada, mas não sou a favor deste acordo, acho que é possível haver uma unificação completa e bastante mais interessante do ponto de vista linguista, estético e ortográfico do que este que o presente acordo contempla.

Aquilo com que menos concordo é o haver ainda palavras que poderão contemplar duas ortografias, julgo que para isso mais valia deixar tudo como está a passar a aceitar os dois casos em todas as palavras que se mostrem diferentes ortograficamente.

há casos que seriam engraçados se fossem resolvidos da seguinte maneira:

António e Antônio passar-se-ia a escrever Antœnio

Gémeo e Gêmeo passar-se-ia a escrever Gæmeo

Europeia e Européia passar-se-ia a escrever Europæia

enfim, e muitas outras coisas...

E tenho bastante pena que Portugal não readopte o trema, que lhe acho imensa piada ;)

casccalens

Anónimo disse...

Ou o til no 'u' de 'mũito' ;)

cscclns