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quarta-feira, dezembro 26, 2007

É Natal, pode-se ser camelo à vontade que ninguém leva a mal!

Inacreditável.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Os apressadinhos

Nota-se já pela blogosfera um silêncio de quem foi antes fazer barulho para o shopping "porque o natal está a chegar", dizem-me. Mas olho para o calendário e... surpresa: É SÓ NA TERÇA-FEIRA! Que seca esta pressa... vai tudo a correr, em fila, e depois é tudo caro e inadequado, e não se decidem e voltam de mãos a abanar e descontentes. Darlings, dia 24 é o dia para se fazerem as famigeradas compras de natal - que, insisto, é só no dia seguinte. Na véspera o consumidor fica muito mais decidido, intuitivo, os preços parecem muito mais razoáveis e ainda tem de bónus justificar o atraso na chegada à ceia familiar. Enfim, um gajo bem aconselha, mas anda tudo apressadinho, a comprar presentes para... esconder no sótão. Que tristeza.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Direito à indiferença

Uma reportagem do The New York Times sobre famílias judaico-cristãs e a competição entre Natal e Hanucá que por vezes isso gera. Entre vários exemplos familiares, o de Rick Draughon (cristão), Scott Gamzon (judeu) e Noah, o seu filho adoptado. Suponho que este tipo de cobertura jornalística, com gays visíveis mas sem um assunto gay ou o termo sequer, só seja possível com mentalidades já mudadas. Suspiro...

Curioso também como ao longo da reportagem coisas como a árvore ou o pai-natal são vistos como símbolos óbvia e indiscutivelmente cristãos. Creio que faria bem à harmonia familiar se estas pessoas fossem de férias a Tóquio ou Singapura em Dezembro (nunca fui, mas diz que...).

terça-feira, dezembro 04, 2007

E’ Natale? Scopiamo?

Se a blogosfera de direita fizesse um intervalo na discussão do "quão nazi podes ser até que isso me comece a incomodar", veriam que este Natal é muito mais propício à Guerra anunciada no ano passado em Portugal, e há 2 nos EUA. É que nunca os anúncios natalícios estiveram tão sensuais. Depois da cristianização e consequente mercantilização, teremos a sexualização da festa invernal como via para a repaganização? Assim o espero.

E as operadoras móveis esmeraram-se. Festas de Natal com Marilyn Monroes e rapazes giros emplumados ("O Natal pode ser como você quiser, com a TMN a magia é sua"), raparigas giras em lingerie fazendo sensuais bolhinhas de sabão ("Este Natal dá o teu melhor. Com o melhor de ti, Optimus") ou pais-natais dormindo entre giros rapazes com ar de quem se prostituía por uma banda larga ("Nunca o pai-natal foi tão amigo. Viva o momento, Vodafone"). Claro que há sempre a possibilidade de ser eu o eterno optimista que em tudo vê sinais de luxúria e hedonismo. Mas se calhar estão mesmo lá. E para que não restem dúvidas pode-se comprar uma das t-shirts do Oliviero Toscani, "É Natal? Fodemos?" - o lucro até vai para obras de caridade, como convém na época.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Testando o Sapo Vídeos


Já aí está (não sem algum atraso) o auto denominado "YouTube português", em videos.sapo.pt. À primeira vista parece-me giro (embora não esteja a conseguir ver as emissões em directo dos canais SIC). Assapemos então.

PS: Primeira falha grave notada, não há forma de clicando no vídeo ir parar à sua página no Sapo, como acontece com o YouTube... O registo no site também devia ser mais simples, tal aliás como o endereço dos vídeos, o que seria uma vantagem face ao YouTube.

PPS: Para uma melhor comparação:

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Os movimentos contra e a favor do quê?

Isto estava na primeira página do Jornal de Notícias de ontem. E isto mesmo já ouvi dizer ao apresentador do Telejornal da RTP1, José Rodrigues dos Santos. Isto não pode ser tolerado como um resumo legítimo de "movimentos a favor e contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez", porque uma e outra não significam o mesmo. Isto é mau jornalismo, é desinformação, é a subversão do que se referenda. Provavelmente a maioria das pessoas dos movimentos pelo Sim é contra o aborto, no sentido em que nunca abortaria e vê-o como algo necessariamente mau, ao passo que muita gente do Não já abortou e tornará a fazê-lo se achar necessário. O que se referenda é se as mulheres que abortam por opção devem ser sujeitas a perseguições policiais, julgamentos e penas de prisão ou não.

Já agora, esta manchete era sobre as declarações do bispo do Porto, que comparou o aborto à roda dos bebés abandonados. O que os jornalistas (tv, jornais, etc) não disseram é que a roda não era medieval, era usada em Portugal pelo menos até ao século XIX e é usada actualmente (com outra designação e formato) em países como a Alemanha. O sentido crítico do jornalismo português anda tão fraco que estas mesmas declarações foram repetidas até à exaustão, sem que ninguém comentasse o facto do bispo as ter proferido numa igreja às moscas em pleno dia de natal. Isso é que era capaz de dar uma bela reportagem.

domingo, dezembro 24, 2006

Merry Kiss-my-ass


Ele há coisa (exceptuando a homofobia, claro) mais gay que o Natal? "Merry" quer aliás dizer "full of gaiety", pelo que a resposta é não, não há. Não por acaso também, se chama este bloguito "renas e veados", a combinação mais "natalícia logo gay" que se arranjou já lá vão mais de 3 anos. Mais precisamente a 11 de Dezembro de 2003, e com tanta mudança de endereço, perda de arquivos e afazeres vários, a data escapou-se-me, tal como, e de novo, aos gentis leitores. Fica agora a nota, faça-se então a festa. Merry Kiss-my-ass.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Também não há lugar para os gays nos presépios

Ainda ontem comentava com um amigo que vi recentemente uma exposição de presépios onde imperava a diversidade étnico-racial, de figuras africanas a trajes madeirenses (menino incluído), passando por figuras caricaturais, de enormes orelhas. Os materiais também eram os mais diversos, incluindo o chocolate. Claro que a regra "casal hetero mais o menino" era inviolável. Isso mesmo comentei, todas as alternativas raciais eram aceites com naturalidade, mas que aconteceria se houvesse um com dois Josés? O caso do parlamento italiano mostra que nem seria preciso ir tão longe para cair o carmo e a trindade, basta que haja homossexuais entre os pastores.

Sobre esta temática (dos presépios alternativos) não percam ainda este post, genial!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Quando o jornalismo sério parece ser proibido

É o que ocorre quando se vêem coisas como esta publicadas. Comecemos pelo título "Quando festejar o Natal é proibido", estão a pensar no Afeganistão ou na Coreia do Norte? Desenganem-se, o cenário deste bonito folhetim de natal do Público é o Reino Unido, a Espanha, os Estados Unidos e até o pequenino Portugal. Veja-se o primeiro parágrafo:
«Festas de Natal proibidas numa escola em Saragoça (Espanha) para não ofender crentes não-cristãos, empresas que não querem festas natalícias no Reino Unido, árvores de Natal removidas e depois recolocadas no aeroporto de Seattle (EUA) na sequência de polémicas sobre as decorações. O Natal, festa que comemora o nascimento de Jesus Cristo, está a ser limpo da sua raiz, com argumentos como o pluralismo e a laicidade.»
É o salve-se quem puder! Ou talvez não. As "festas de Natal proibidas numa escola em Saragoça" afinal não são várias, mas apenas uma, e não foi proibida, simplesmente não foi realizada. O que o Público não diz é que a escola tem sido atacada por todos os lados por esta simples não celebração. Caso para dizer, quando festejar o Natal parece ser obrigatório.

As empresas que não querem festas natalícias no Reino Unido não são nomeadas na "notícia" do Público, que cita o The Sun - cada vez mais o equivalente britânico ao Público. Mas olhando de forma não ingénua para a coisa, concluiremos que os custos e a sujidade que costumam resultar destas festas, tradicionalmente regadas com muito álcool, serão as causas dessas recusas, e não qualquer pudor religioso - que de religioso pouco ou nada têm as ditas festas em terras de sua majestade.

As árvores de Natal do aeroporto de Seattle foram recolocadas, como diz o Público, e as "polémicas", como se lê em seguida, eram afinal um mero pedido para que o aeroporto usasse também decorações alusivas Hannukkah, que foi mal interpretado - incompetência, nada mais.

Finalmente a "festa que comemora o nascimento de Jesus Cristo" que está a ser "limpa da sua raiz", quem diria? Por acaso as raízes do Natal estão longe de serem cristãs, cristã foi a apropriação de celebrações invernais com múltiplas origens, razão pela qual alguns símbolos pagãos são vistos hoje como "cristãos", porque natalícios - a árvore, por exemplo. Isto é tão verdade que no Reino Unido, e também em Boston, o Natal já foi efectivamente proibido, mas pelos cristãos, no século XVII, que o repudiavam (violentamente) pelas suas origens pagãs.

O Natal de cristão nunca teve muito, e no nosso tempo é sobretudo a festa do consumo e do espírito de solidariedade forçado, celebrada de Roma a Tóquio ou Banguecoque. A mim, como ateu, não me ofendem nada as iluminações ou árvores natalícias, até lhes acho alguma graça quando aparecem em Outubro, embora em Dezembro já andemos todos fartos. Choca-me, isso sim, que na escola pública crianças sejam obrigadas a declamar versos como «Eu sou a escrava do Senhor; que se cumpra o que me disseste.», quando provavelmente nunca lêem nenhum discurso sobre os princípios da nossa República. Choca-me é este jornalismo panfletário e alarmista, que ainda por cima não passa de uma repetição tosca da "war on christmas" inventada pelos neo-cons americanos no ano passado, para ofuscar a verdadeira guerra (promovida por cristãos) no Iraque.

E para provar que aqui no renas não temos nada contra o Natal, deixo duas sugestões bem natalícias:

1) Importe-se a Santa Speedo Run para Portugal! Já aqui tínhamos falado desta corrida tradicional de Boston, e não desistimos enquanto não for transposta para as ruas do Porto.

2) Caganer do Bentinho, se querem mesmo fazer um presépio, façam-no com estilo. E este ano o caganer da moda é do Bento!

E já agora, um bom Natal.