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sábado, fevereiro 10, 2007

Censura na Antena 1

«A edição de ontem do programa de rádio "O amor é ...", da autoria de Júlio Machado Vaz e Ana Mesquita, não foi para o ar. Segundo a RDP a emissão comprometia a isenção da estação, argumento contestado pelos autores.» [via]
Como? A Antena 1 faz parte do grupo RTP - Rádio e Televisão de Portugal. Um grupo estatal, ou seja, pago com os impostos de todos. Ao longo da campanha este grupo passou, nos seus vários canais, programas de autor ou religiosos que fizeram apelos directos e constantes a um certo sentido de voto (programa de Marcelo Rebelo de Sousa, o programa diário da igreja católica na RTP2 ou o programa da aliança evangélica no mesmo canal). Só censuraram Júlio Machado Vaz porquê? Receberam queixas? Inundemos então a caixa de correio do provedor do ouvinte.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O que importa reter de tudo o que se tem dito


Daniel Oliveira no seu melhor, pondo os pontos nos iis. Ao contrário do que a careta mentirosa de Laurinda Alves possa querer dizer, o boletim de voto só tem duas opções (não é assim). Este vídeo também é ilustrativo da patética parcialidade de Fátima Campos Ferreira, a "professora primária da televisão pública" (sem querer ofender as professoras primárias). Entretanto Marques Mendes ainda não percebeu o óbvio e chama radical a Sócrates, por este querer cumprir a lei dos referendos e respeitar a vontade popular, seja ela qual for. Mas esta gente sabe sequer ler?

E não dá para atira-la aos leões?

«Na Roma Antiga havia.» Fátima Campos Ferreira, defensora do Não à despenalização do aborto até às 10 semanas, esta noite ao interromper Vera Jardim, quando este garantia que nenhum código penal europeu previa um crime sem pena. Tudo isto no Prós & Contras especial, inventado às três pancadas para promover a nova e falsa teoria de que votar Não é votar numa despenalização alternativa.

Para quem não se lembra, em 1998 a pergunta a referendo era a mesma, ganhou o Não, nada mudou, mulheres morreram, mulheres foram julgadas e condenadas, Portugal não seguiu a trela da Europa, continuamos na trela do Irão, da Nicarágua ou da Nigéria. Já repararam aliás como o Não tão orgulhoso na pátria, vê afinal os portugueses, e especialmente as portuguesas, como incapazes e inferiores aos restantes europeus? As leis que funcionam na Escandinávia nunca funcionariam aqui, aqui as mulheres fariam fila nos hospitais para abortar na segunda-feira se o Sim ganhasse no domingo. É a isto que se resume o discurso do Não.

domingo, fevereiro 04, 2007

Grandes Mentirosos

1) A Plataforma Não Obrigada tem dito diariamente que não quer a partidarização da campanha. Por mim tudo bem, mesmo que façam caminhadas com o CDS na primeira fila e o PNR na última. Mas usarem o tempo de antena do PPM já é abusar.

2) A posição oficial do PSD é de neutralidade. Estranha posição quando se vê o seu líder diariamente em campanha pelo Não. Mas pior ainda são os tempos de antena, onde participam, nem mais, os mais radicais defensores do Não, com um discurso que não é sequer compatível com a actual lei.

3) Marques Mendes assumiu um compromisso que não pode cumprir. Se o Não ganhar despenaliza a IVG. Alguém explique a este mentiroso compulsivo (ou será apenas tonto?) que o referendo não é nenhuma eleição, que tem uma pergunta muito concreta e clara e que cabe ao parlamento já eleito (onde o PSD é minoritário) legislar em conformidade com a resposta dada pelos eleitores. Sim ou não à despenalização do aborto a pedido da mulher até às 10 semanas.

4) Apesar da gritante parcialidade de Fátima Campos Ferreira, o Sim esmagou o Não em todos os sentidos no passado Prós & Contras. Razão pela qual o programa vai repetir o tema esta noite. Óptima oportunidade para o Sim desmontar as novas mentiras do Não entretanto acumuladas. Força!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Marques Mendes mentiu, porque é que a RTP não o mostrou?

Não sei como foi nos outros canais, mas na RTP a crítica de Louçã a Marques Mendes, por este criticar a pergunta que aprovou no parlamento, foi seguida pela negação mentirosa de Marques Mendes, e assim terminou a informação. Ora a RTP tem as imagens que mostram Marques Mendes a dizer aquilo que negou hoje, porque não as mostrou? Porque se limita a deixar no ar a (fraca) palavra de alguém, quando tem as imagens que acabariam com qualquer dúvida? As imagens, dos ataques à pergunta e da negação disso mesmo, podem ser vistas aqui.

PS: Valha a TVI:

segunda-feira, janeiro 29, 2007

"Referendo ao aborto"

Abortar, sim ou não? É uma pergunta que compete responder à mulher que se encontra numa situação em que abortar é uma das hipóteses. Isso é, foi e será assim, independentemente do resultado do referendo, porque independentemente do resultado do referendo, o aborto continuará a ser uma realidade, e logo uma hipótese.

A pergunta do referendo é outra, se concordamos, ou não, com a despenalização do aborto até às 10 semanas realizado em estabelecimento autorizado. Simplicíssimo, mas eu explico, se achamos que a actual pena de prisão até 3 anos prevista na lei não tem razão de ser para os casos de aborto em estabelecimentos de saúde devidamente equipados e legalizados. Sim ou não?

Mas ainda antes de Marcelo, já a RTP tentava baralhar as coisas. Convencer-nos que o que se referenda é a primeira pergunta, e não a segunda. Já o escrevi n vezes, lamento estar a repetir-me, mas a RTP repete-se continuamente. "Referendo ao aborto", "sim ou não ao aborto", "movimentos contra o aborto", ainda hoje ouvi no Telejornal. O que não se ouve é "referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez", que poderia ser encurtado para "referendo à despenalização do aborto", mas nunca "referendo ao aborto". Disse, insisto, repito, não é jornalismo, não é sério, não é honesto e é pago com os nossos impostos.

Já escreveste ao provedor? Se adiares para depois de dia 11, poderá ser demasiado tarde.

sábado, janeiro 27, 2007

Afinal havia outra

Fartinho que estava das manipulações grosseiras da RTP, decidi dar uma oportunidade ao noticiário da SIC. Ingenuidade minha de novo, da tv é de se esperar sempre o pior. E assim foi, antes de uma peça sobre acções de campanha de rua por Lisboa de ambas as facções anunciou-se com grande alarido, o âncora claro, que a do Não se viu a braços com grave incidente. Afinal o grande incidente mais não era que um transeunte a rejeitar a hipocrisia subjacente ao voto Não e a lembrar que na restante Europa, à qual queremos pertencer, a coisa há muito foi resolvida. A isto ia uma individua do Não dizendo que não era nada assim, que a Europa anda arrependidíssima de já não penalizar as mulheres e querem todos voltar para trás. Claro que não deu um único exemplo, e só a Polónia serviria para tal, mas não é exactamente como a Polónia que queremos ser, ou é? E dica grátis para a sujeita, se também pensou Nicarágua esqueça, é noutro continente... Mas bom, nada disto se soube pela SIC, que tal como a RTP, defende a teoria de que o jornalismo isento é o jornalismo acéfalo, incapaz de denunciar a mais flagrante mentira ou contradição. E por outro lado, capaz de transformar uma breve discussão num "incidente". Que diria a SIC do fulano que chamou "abortadeira de m****" à L.?

Avançando na peça viu-se depois Paula Teixeira da Cruz em campanha pelo Sim, mas quem não soubesse que se tratava de uma deputada do PSD, ficou sem o saber vendo a SIC... Finda a reportagem anunciam uma outra sobre filmes intrauterinos de carícias entre gémeos, assim um cúmulo de pornografia embriófila e incestuosa que me escusei a ver.

Se o Sim ganhar no próximo dia 11 haverá mais um motivo para considerar que a democracia portuguesa amadureceu, pois nesse dia se concluirá que as tvs já não decidem eleições.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

RTP pelo Não (actualização)

Ingenuidade minha. Decidi assistir ao Jornal da Tarde de hoje a ver se corrigiam a mentira grosseira que passaram ontem. Claro que não, até porque só houve uma notícia sobre o referendo durante todo o noticiário: excertos da entrevista ao sr. Policarpo, chefe da filial portuguesa da ICAR, dada ontem em horário nobre pela televisão pública. E se ontem ao ver a entrevista completa Policarpo parecia um defensor do Não pouco convicto, quase hesitante, hoje, com os momentos bem seleccionados, não deixou qualquer dúvida. E tu, já escreveste ao provedor?

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Portugal é o 3º melhor do mundo, que a Nicarágua já está no céu!

Ainda no Jornal da Tarde de hoje, e imediatamente a seguir às notícias sobre o aborto (não fossem os espectadores perder a associação "aborto/baixa natalidade" por causa de alguma notícia de bola), a RTP divulgou um "estudo" da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas a alarmar para esse assunto, o da baixa natalidade. Estudos destes são a dar com um pau (dos sérios aos a brincar como este), estão longe de ser novidade, e se queremos taxas de natalidade altas como em França e na Dinamarca não é criminalizando o aborto que o conseguimos. Mas a ideia de noticiar o dito "estudo" era outra, ou não estivéssemos na RTP, e daqui até ao referendo ainda veremos várias notícias "inocentes" plantadas imediatamente a seguir às do aborto, como aliás já vimos esta semana, ora ginástica para grávidas em Vila Real, ora uma associação pelo parto natural... Estou até capaz de imaginar a próxima!
«Com uma eventual vitória do "sim" no referendo do dia 11 de Fevereiro, Portugal desceria do terceiro para o décimo lugar no ranking mundial de "países amigos da vida". Esta foi a principal conclusão do estudo do docente da Universidade do Minho e mandatário do movimento cívico Minho pela Vida, Luís Botelho Ribeiro, apresentado ontem à tarde, em Lisboa.

De acordo com o docente, Portugal "é o terceiro melhor país do mundo para nascer, logo atrás da Irlanda e da Suíça", que ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares. Mas o trabalho avança que caso o aborto seja despenalizado Portugal desceria para o décimo lugar.
»
(fonte: Plataforma Não Obrigada)
É isso mesmo, Portugal é o terceiro melhor país do mundo para nascer! *pausa para risos e lágrimas* Adiante, este nome, Luís Botelho Ribeiro, lembrou-me algo, e depois de se me fazer luz (pois é, perigosos abortistas como eu também tem essa capacidade de ocasionalmente fazerem luz sobre determinados assuntos), percebi melhor as razões de Portugal estar em 3º no tal estudo. É que Luís Botelho Ribeiro foi um dos candidatos a candidatos das últimas eleições presidenciais. Queixando-se da falta de atenção da televisão pública iniciou uma greve de fome que terminou 3 dias depois, não que a atenção da RTP tivesse chegado, apenas a fome que apertou e foi mais forte que a palavra dada. Suspeito portanto que o 3º lugar de Portugal no estudo mundial, se devem ao facto do sr. Ribeiro ter começado pela Irlanda, saltado para a Suíça, indo a Portugal, e tendo desistido de ir mais longe ao verificar a vastidão do globo terrestre.

À procura da confirmação dessa minha suspeita fui procurar o site do Minho pela Vida, não achei. Mas achei um Minho com Vida, que até é capaz de ser o que a Plataforma Não Obrigada refere, já percebemos há muito que esta gente com nomenclatura e língua portuguesa não vai longe... Lá chegado, estudo não encontrado, mas encontrei uma apetitosa notícia, apetitosa por ser tão esclarecedora do que move esta gente, a criminalização total do aborto, ora atentem:
«(...) agora arremete contra a lei que eliminou o falacioso aborto terapêutico na Nicarágua. (...) Entretanto, esta semana reapareceu nos meios exigindo na Nicarágua que se restitua o aborto terapêutico, a pesar que peritos médicos em todo mundo reconhecem que com os avanços científicos atuais *o aborto nunca é necessário para salvar a vida de uma mulher doente*.»
Bastante mais claros que Marcelos ou bispos viseenses, não? Querem-nos como a Nicarágua. O que é que se responde a isto?


Não é jornalismo, é a manipulação grosseira da RTP

Depois de ter promovido o vídeo do sr. Marcelo na terça-feira, o Jornal da Tarde voltou a youtubar hoje. Mas fê-lo com o rigor a que já nos habituou, ou seja, nenhum. Foi dito que Francisco Louçã respondeu a Marcelo, e que Marcelo logo lhe deu troco, e foi nesta sequência que foram apresentados excertos dos dois vídeos, terminando com a lapidar frase Marcelina que tanto sentido faz aos iliteratos do país, "não é a despenalização, é a liberalização", não sem antes a jornalista ditar, "despenalização ou liberalização, assim se dividem os movimentos em campanha" (!?!?!?).

Ora acontece que a resposta de Marcelo era a declarações de Louçã fora do YouTube, sendo a resposta de Louçã no YouTube o vídeo mais recente desta discussão, e não o contrário como foi noticiado na RTP. RTP que concluiu a peça nestes termos, "mas enquanto a resposta de Louçã só conta com 900 visitas, a mais recente de Marcelo já vai nas 8000". Repito, e basta ver no YouTube, o vídeo de Marcelo respondendo a Louçã foi adicionado dia 22, altura em que toda a comunicação promovia o seu vídeo de estreia, a resposta de Louçã foi colocada dia 24. Tudo isto é básico, e distorcer algo tão facilmente verificável já não sei se é manipulação ou simplesmente o cúmulo da irresponsabilidade, negligência e burrice.

PS: A peça da RTP está disponível no seu site, começa ao minuto 21. Era bom que alguém a youtubasse para a posteridade, infelizmente não faço ideia de como se fará tal coisa.

PPS: Entretanto foi lançado o 3º vídeo de Marcelo, que agora diz que vota Não porque não acredita que o Sim vá ser aplicado... confusos? É esse o objectivo.

PPPS: Voilá, e no Sapo que é mais rápido (tanto nos uploads, como nos downloads):



PPPPS: E agora também no YouTube.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

À atenção dos Sim's que acham que a vitória está garantida

A leitura deste post sobre as sondagens de 98. O PS que continue de braços cruzados, a RTP que continue a esbanjar recursos públicos para propagandear o Não, e depois...

E continua a campanha da RTP pelo Não

Não é só o padre Borga a colorir negativamente a hora de almoço da televisão pública. Ainda numa de masoquista decido ver o Jornal da Tarde da RTP. Chega a hora de falar no referendo e lá vem novo bispo, todos os dias há um novo, e hoje foi a vez do de Viseu. Novidade, as sacristias deste país já estão ligadas à internet! Então não é que o senhor bispo repetiu palavra por palavra o discurso troca-tintas do sr. Marcelo Rebelo de Sousa, aka "O Professor". Que a igreja afinal até é pela despenalização das mulheres, mas que não quer a legalização do dito cujo. Resumindo, cadeia não, clandestinidade sempre! Uma pena que esta gente só se lembre disto quando se discute a legalização, quase 10 anos sem ouvir uma palavra a favor da despenalização, e de repente parece que todos sempre lutamos por isso...

Bom, acaba a recitação das youtubadas do professor Marcelo pelo senhor bispo e começa uma reportagem sobre diabetes. Ah? Então e o Sim? Onde está? Nem para passar o Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento) que trabalha na estação? Não, ficamos como na segunda-feira passada, no Jornal da Tarde só há espaço para o Não.

PS: E ainda alguém desse clube novo do "Não no referendo, mas Sim à despenalização" me há-de explicar que legitimidade política haveria para despenalizar (que é aquilo que o referendo pergunta) em caso de vitória vinculativa do Não...

Olhe que não, olhe que não

Puro masoquismo, ligo a tv antes das 13h e levo logo com o padre Borga a dizer "ainda bem que somos todos contra o aborto!". Fica a dúvida, estaria a referir-se aos funcionários da RTP? (E já agora, quanto é que o padre Borga r€c€b€ por promover os seus discos pimba e superstições diariamente na televisão pública?) Ou, será que o padre se referia a toda a gente envolvida na campanha, seja pelo Sim ou pelo Não?

É possível que fosse este o caso, tal a imagem de ultramoderação que o Sim se esforça por passar. Eu acho que estrategicamente é importante passar a imagem de que o Sim é o voto moderado, o voto do bom-senso, da responsabilidade. Mas muito cuidado com as cedências que se fazem ao Não. Pessoalmente não tenho qualquer objecção moral ou ética ao aborto voluntário no início da gravidez.

A única razão pela qual considero positiva a redução do número de abortos é por isso significar que menos mulheres são expostas aos riscos a ele subjacentes. Riscos esses que são a razão pela qual o aborto não deve ser usado ou promovido como método contraceptivo, mas antes como o "plano B", quando tudo o resto falha. Mas um plano B perfeitamente legítimo, tal como é perfeitamente legítimo que cientistas cultivem células humanas em caixas de petri ou clonem porcos com alguns genes humanos que possibilitem o desenvolvimento de órgãos aptos ao transplante para pessoas que deles necessitem. Conjuntos de células humanas vivas não são necessariamente seres humanos, é preciso bem mais que isso. Como bem escreve o Ricardo Alves, a vida não começa com a fecundação, transmite-se. E avaliar algo por aquilo que poderá vir a ser, em vez daquilo que é, não é mais que futurologia e crença. Sejamos racionais, sim?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Basta!

A televisão pública, paga com os nossos impostos, promove uma "oportuna" (leia-se conveniente) entrevista ao sr. Policarpo com esta pergunta e resposta: "Será o ABORTO comparável ao TERRORISMO? O Papa Bento XVI diz que SIM.". De uma vez por todas basta! Basta de campanha pelo Não paga com os nossos impostos! Basta de "jornalistinhas" videntes armados em pastorinhos new age! Basta de sermos insultados e difamados pela televisão que pagamos do nosso bolso! Basta de propaganda no lugar da informação! BASTA! Foram ultrapassados todos os limites da decência democrática. Foram esquecidos todos os princípios do jornalismo. É o grau zero do que era suposto ser serviço público.

Marcelo Rebelo de Sousa, o abortista radical que gosta de mentiras

Já muito boa gente comentou o vídeo e site do comentarista pago com os seus impostos. Mas os ditos são tão, como dizer, inacreditáveis que não resisto a comentar. Marcelo defende a despenalização até às 18 semanas e por isso vota não. Marcelo é a pessoa mais feliz com o referendo, mas acha a pergunta mentirosa. Depois navega-se pelo site e descobrem-se coisas espantosas, como "Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de aborto clandestinos." Porquê? Porque sim, porque Marcelo diz que sim e é quanto basta, não é preciso indicar fontes, nada, atira-se um número ao ar, contradizem-se os estudos elaborados, et voilá. Citações completamente descontextualizadas (sem sequer a indicação de onde e quando foram proferidas) também abundam. Só faltam mesmo a seriedade e a honestidade, mas não é isso que interessa, o que interessa é garantir a vitória do obscurantismo a qualquer preço, orgulhosamente sós na Europa - a cauda será sempre nossa!

PS: Que querida a RTP, no Jornal da Tarde de hoje até ensinou os espectadores a procurarem os vídeos do Marcelinho no YouTube. Digo vídeos porque há um novo onde Marcelo esclarece melhor a posição, é contra a penalização mas é a favor da clandestinidade. Abortai à vontade, mas longe da minha vista, mesmo que isso implique um prejuízo da vossa saúde... a minha vistinha é que não pode ser afectada.

domingo, janeiro 21, 2007

RTP Não Não Não

Começa a ser escandalosa a cobertura da RTP à campanha para o referendo. Não tenho ligado muito às outras TVs, mas constatar que os meus impostos servem para financiar a propaganda do Não é de dar a volta ao estômago. É certo que já tiraram a imagem do recém-nascido do grafismo optando por um boletim de voto (até parece que lêem o renas), mas a expressão "referendo ao aborto" continua em alta, e as peças sobre o Não são sempre pelo menos o dobro (em número e tempo) que as do Sim. E além destas, como aponta o Miguel, seguem-se reportagens "inocentes" sobre partos em casa ou raparigas adolescentes que decidiram levar avante gravidezes não planeadas - good for them, sem ironia, só me pergunto, mas que raio tem isso a ver com o artigo que se referenda? Para os que não se lembram reza assim: «A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.» Quem quer ter filhos pode continuar a tê-los e como bem entender, só não se quer obrigar ninguém a tê-los não os querendo, ok?

Mas não é só a RTP em alegre campanha pelo Não, o que me parece constituir uma grande diferença face a 98, altura em que a comunicação social esteve bem mais isenta. Nos tempos que correm qualquer indignação do CDS vale uma notícia, ora não sei quem que mandou uns mails, ora uma juíza que ousa ter opinião. Que se lixe a parte de haver na televisão pública um espaço diário da responsabilidade da ICAR em propaganda pelo Não desde que se começou a falar em referendo! E o sorriso enternecido de Judite Sousa ao apresentar uma peça sobre os betinhos beatos do "Diz que Não", a dizerem que iam ajudar as criancinhas, também é pago com os teus impostos! (By the way, alguém devia avisar essa miudagem que o RAP do Gato Fedorento vota Sim, pelo que convinha mudarem de nome). Mas deixemo-nos estar, cruzemos os braços como em 98... embalemo-nos no bonito discurso do "não partidarizem a campanha", que é o que mais se ouve nos últimos tempos, e vão ver a festa do CDS no dia 11 de Fevereiro.

PS: Incrível, não há mesmo pingo de vergonha. Hoje [22.01.2007] no Jornal da Tarde da RTP passaram duas peças sobre o referendo, a primeira sobre as declarações do bispo da Guarda (que o de Beja não interessava mostrar), que defende a pena capital para quem aborta, e depois um anúncio da caminhada pelo Não que vai haver em Lisboa. Reportagens sobre o Sim, zero! Não há mesmo vergonha! Já escreveste ao provedor?

sábado, janeiro 13, 2007

RTP: Jornalismo abortado

Não, não vou repetir as minhas queixas pela campanha diária pelo Não do Padre Borga nas manhãs da RTP1 ou da campanha igualmente diária da ICAR nas tardes da RTP2. É mesmo do Jornal da Tarde que vos falo.

Na 5ª feira houve apenas espaço para o Não, uma conferência de uma qualquer sotaina em campanha por Vale de Cambra valeu uma notícia, no Sim nada lhes importou. Na 6ª feira as coisas foram mais equitativas no tempo, ou talvez não. Depois de uma entrevista a uma jovem que já abortou em condições de clandestinidade seguiu-se a de uma mão adolescente a quem "nunca passou pela cabeça abortar". Ora se nunca lhe passou pela cabeça abortar que raio de interesse poderá ter a sua estória em relação ao que se discute agora? Afinal nada de diferente se teria passado em relação ao seu caso particular, fosse legal ou ilegal abortar. Finalmente hoje, mais uma homilia de Fátima, entrevistas de rua aos crentes, e pelo Sim? Apenas o anúncio que Jorge Coelho ia lançar a campanha do PS.

Mas fosse só este claro favorecimento de tempo de antena ao Não. O favorecimento ao Não na RTP é a todos os níveis, e começa logo na apresentação do tema: "referendo ao aborto". Mas referendo ao aborto de quem? Da ética jornalista no serviço público? Parece-me abortada há muito. Aborto da RTP? Aborte-se então. Como já escrevi aqui, "referendo ao aborto" não pode ser tolerado como um resumo de "referendo à despenalização da IVG". Não é a mesma coisa. Dizer "referendo ao aborto" é entrar na lógica do Não. Não é jornalismo, é distorção e manipulação. Tal como falar em "movimentos contra e a favor do aborto", já perdi a conta às vezes que ouvi isto na RTP! E como se não bastasse usam um feto de não sei quantos meses como grafismo para o tema, ao invés de um isentíssimo boletim de voto ou martelo da justiça, ou seja, aquilo que afinal se discute. Televisão pública assim mais vale abortar de vez. É isso mesmo que vou dizer ao Provedor.

sábado, janeiro 06, 2007

Déjà vu

A avacalhação da campanha já começou, e daqui até 11 de Fevereiro o mais provável é que a coisa vá agravando. Como bem disse Ana Sá Lopes, avacalhar é abrir alas para o Não. E isto por uma razão simples, os moderados do Sim prezam imenso a sua moderação e muito pouco o seu Sim. Avacalhando a campanha eles já não se metem, ou melhor, metem-se para atacar os "radicais do Sim", acrescentando sempre que tem muito respeito pelo Não, salvaguardando assim a sua imensa moderação, que é o que importa.

Já o Não não tem destes problemas, o que importa é facturar votos, dê por onde der, para que não se ponha em causa do seu poder, a sua influência. Mentem, distorcem, fazem falsas promessas (educação sexual, não aplicação da lei que defendem, etc), e tudo vai bem, ninguém ataca ninguém, é só palmadinhas nas costas. Os menos moderados (no Não não há radicais) lá se vão entretendo com panfletos de recém-nascidos mortos e agendamentos de comícios pelo Não no domingo do referendo. E assim vai o país, e não é a primeira vez. Para já a única diferença que noto em relação a 98 é que as sondagens não dão uma margem tão grande ao Sim...

PS: E na RTP continuam a falar em "referendo ao aborto", "movimentos contra o aborto", "movimentos a favor". Contribuir com os meus impostos para o jornalismo rasca? Assim é.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Os movimentos contra e a favor do quê?

Isto estava na primeira página do Jornal de Notícias de ontem. E isto mesmo já ouvi dizer ao apresentador do Telejornal da RTP1, José Rodrigues dos Santos. Isto não pode ser tolerado como um resumo legítimo de "movimentos a favor e contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez", porque uma e outra não significam o mesmo. Isto é mau jornalismo, é desinformação, é a subversão do que se referenda. Provavelmente a maioria das pessoas dos movimentos pelo Sim é contra o aborto, no sentido em que nunca abortaria e vê-o como algo necessariamente mau, ao passo que muita gente do Não já abortou e tornará a fazê-lo se achar necessário. O que se referenda é se as mulheres que abortam por opção devem ser sujeitas a perseguições policiais, julgamentos e penas de prisão ou não.

Já agora, esta manchete era sobre as declarações do bispo do Porto, que comparou o aborto à roda dos bebés abandonados. O que os jornalistas (tv, jornais, etc) não disseram é que a roda não era medieval, era usada em Portugal pelo menos até ao século XIX e é usada actualmente (com outra designação e formato) em países como a Alemanha. O sentido crítico do jornalismo português anda tão fraco que estas mesmas declarações foram repetidas até à exaustão, sem que ninguém comentasse o facto do bispo as ter proferido numa igreja às moscas em pleno dia de natal. Isso é que era capaz de dar uma bela reportagem.