segunda-feira, janeiro 29, 2007

"Referendo ao aborto"

Abortar, sim ou não? É uma pergunta que compete responder à mulher que se encontra numa situação em que abortar é uma das hipóteses. Isso é, foi e será assim, independentemente do resultado do referendo, porque independentemente do resultado do referendo, o aborto continuará a ser uma realidade, e logo uma hipótese.

A pergunta do referendo é outra, se concordamos, ou não, com a despenalização do aborto até às 10 semanas realizado em estabelecimento autorizado. Simplicíssimo, mas eu explico, se achamos que a actual pena de prisão até 3 anos prevista na lei não tem razão de ser para os casos de aborto em estabelecimentos de saúde devidamente equipados e legalizados. Sim ou não?

Mas ainda antes de Marcelo, já a RTP tentava baralhar as coisas. Convencer-nos que o que se referenda é a primeira pergunta, e não a segunda. Já o escrevi n vezes, lamento estar a repetir-me, mas a RTP repete-se continuamente. "Referendo ao aborto", "sim ou não ao aborto", "movimentos contra o aborto", ainda hoje ouvi no Telejornal. O que não se ouve é "referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez", que poderia ser encurtado para "referendo à despenalização do aborto", mas nunca "referendo ao aborto". Disse, insisto, repito, não é jornalismo, não é sério, não é honesto e é pago com os nossos impostos.

Já escreveste ao provedor? Se adiares para depois de dia 11, poderá ser demasiado tarde.

2 comentários:

monge_galileu disse...

sim..mas o que ta em causa é a proposta de lei do PS que fala claramente em Liberalização

pq é que os movimentos pelo sim nao falam disto?

boss disse...

Basear o sentido de voto em meros jogos semânticos é tão pobre que me escuso a comentar.

E não, o que está em causa não é a lei do PS, o que se referenda é um princípio, cabe depois ao parlamento legislar consoante o princípio aprovado pelos eleitores. Mas qualquer legislação que o parlamento aprove agora poderá ser alterada mais tarde noutra legislatura, desde que não mexendo no princípio aprovado por referendo. Isso só poderia acontecer com novo referendo.