terça-feira, janeiro 30, 2007

O argumento natalista

Propaganda natalista nazi (esq.) e estalinista (dir.).

"Vai-se legalizar o aborto quando a taxa de natalidade é tão baixa?". É um falso argumento a vários níveis. Desde logo é altamente discutível se a baixa taxa de natalidade é um problema. Mas é sobretudo falso porque se sabe que a criminalização ou não do aborto em nada influencia a taxa de natalidade. Mas nem é isso o que mais choca, o que choca, ou devia chocar, é a facilidade com que alguns vêem as mulheres como meras parideiras ao serviço da pátria. Choca-me que este argumento usado por Hitler e Estaline, precisamente para criminalizarem o aborto, continue ainda hoje, como se nada fosse, como se nada tivesse acontecido, a ser usado com a descontracção e dramatismo fingido com que se canta um fado.

4 comentários:

Paideia disse...

mas que manobra tao engraçada... como e' que se transforma o movimento nao-obrigada numa consideração de caracter totalitarista? o senhor e um ge'nio do mau pensar, ou entao pensa que os portugueses são burros

boss disse...

Se tivesse lido o post perceberia, espero, que o mesmo nem sequer refere a "plataforma não obrigada", ou "não-obrigada" como escreve. Que fará transforma-la seja no que for, não tenho esse poder.

E se por um lado não tenho a pretensão de escrever para "os portugueses", por outro, este post é dedicado a todos os que usem o argumento natalista, sejam desse movimento ou de outro qualquer partido ou seita. O argumento natalista na defesa da penalização do aborto é um argumento totalitário e que trata as mulheres como meras parideiras, tal como foram tratadas pelo nazismo ou pelo estalinismo.

FuckItAll disse...

Eu gostei muito da Kátia Guerreiro (é assim que se chama?) a defender no Prós&Contras que as outras mulheres devem ser obrigadas a ter filhos porque ela quer ter quem trate dela quando for velhinha... Que tal tratar ela disso? Hum? Esta mania de nos transformarem em incubadoras vai ter que acabar.

Catarina disse...

Gosto destes «natalistas». Claro que não vale a pena explicar-lhes que o mundo, que é só um, está cheio, a rebentar pelas costuras e que, por muito que gostemos de ter filhos e os amemos (quando amamos, que há por aí uns pais que deviam era ter comprado um nenuco, masadiante!), cada criança nascida no lado privilegiado do mundo consome recursos que acabarão por fazer falta do lado lixado do mesmo mundo?