sexta-feira, janeiro 12, 2007

Justiça sanguinária

«Pai biológico reclama filha mais 60 mil euros dos pais adoptivos». Que raio de justiça é esta que esbanja recursos à procura de pais biológicos que não querem ser encontrados, depois da mãe entregar de livre vontade a criança a um casal adoptivo? Que raio de justiça é esta onde um "laço de sangue" justifica a destruição de uma família a sério, desejada, planeada e construída? A sério que não percebo nada disto. Ainda menos ao saber que as tais investigações que são sempre iniciadas quando a mãe não sabe ou recusa dizer o nome do pai são arquivadas automaticamente se se descobre que se tratou de uma relação incestuosa - quão púdicos estamos se os laços de sangue são múltiplos!

Por certo que a imagem do pai adoptivo na cadeia vai ser um excelente exemplo e incentivo para quem estivesse a pensar adoptar... Que tristeza de país.

6 comentários:

patsp disse...

É impressionante, não é? A beata lei biológica a qualquer custo. E o interesse das crianças: que se dane!

B_R disse...

Na SIC passou uma reportagem muito mais esclarecedora deste caso! O pai biológico teoricamente tem razão porque a justiça demorou anos a resolver, mas na prática quem vai pagar a factura, infelizmente, é a criança.

Pedro Farinha disse...

Eu sou sempre pelas crianças.

Também é por isso que votarei SIM no dia 11 de Fevereiro, porque acho que para cada criança é melhor ter vindo ao mundo como fruto do desejo dos seus pais.

Neste tipo de casos, tantos anos passados, acho que para as crianças o melhor é manterem-se na familia de adopção. O contacto com o pai biológico, quando possível, não faz mal nenhum, mas retirar a criança À familia que a criou é um trauma profundo.

portugalgay disse...

Por acaso, neste caso, discordo: a única razão porque a criança ficou com a família "adoptiva" foi porque além do atraso da justiça os pais adoptivos raptaram a criança e a "justiça" nada fez.
O pai biológico iniciou o processo atempadamente e se a justiça fosse eficaz a criança não teria sequer tido conhecimento do que se passou. Deixa-me revoltado que um progenitor "perca" um filho numa situação destas.

boss disse...

Bom, eu não estou a par de todo o processo, aliás só tinha lido essa notícia quando escrevi o post. Mas este novo artigo, que clarifica alguns pontos, em nada me faz mudar de opinião:

« Nascida em Fevereiro de 2002, fruto de uma relação com a cidadã brasileira Aidida Porto que Baltazar Nunes, então com 21 anos, reputa de ocasional, a criança viveu apenas três meses com a mãe. Esta decidiu, de acordo com vários testemunhos, entregar a criança a quem a cuidasse bem. Apresentada por um conhecimento comum ao casal Luís Gomes/Arlinda Lagarto, que já tentara através de tratamentos de infertilidade mal sucedidos ter um filho biológico, entregou-lhes a menina formalizando o acto através de um documento assinado perante um notário. Baltazar Nunes reconhece que à época do nascimento da criança recusou a ideia de ser pai e que só aceitou ser o progenitor biológico aquando dos testes de ADN, efectuados no âmbito do processo automático de averiguação da paternidade instaurado pelo Ministério Público. É só nessa altura, quando a menina tem já um ano, que decide que afinal a quer.»

Alentejano do Alto disse...

Como eu, muitos Portugueses pensam que o mal maior que temos em Portugal é uma justiça lenta, "injusta" e autista, uns juízes incapazes de pensar por si e sem experiencia da vida, umas sentenças incompreensiveis para o senso-comum, uns sindicatos de juízes (só por si, um facto revelador) mais interessados em defender inacreditáveis mordomias (como aquela dos subsidios de renda que se outorgam e que não têm paralelo na sociedade) e vencimentos, do que em reformar e melhorar a justiça em Portugal.
Este é um caso exemplar e pode ser que sirva de alguma coisa - acusar aquele Pai de sequestro é só por si um abuso, ignorante, maldoso e deformado. E considerar agravante o ele ser militar, só mostra que certos principios (honra, integridade, espirito de sacrificio, dádiva da própria vida, etc), que não sendo unicos dos militares são contudo apanágio dessa classe, passa ao lado da compreensão dos juízes portugueses.
Condená-lo a 6 anos e a uma indemnização inacreditável a um tipo que depois de uma cambalhota nunca mais quis saber da rapariga e da filha, é execrável (lembra-se de uma fulana que raptou um bébé de um hospital? Essa apanhou 3 anos! É que, coitadinha, o tribunal decidiu que ela na altura estava muito traumatizada...).
Mas a minha esperança é que desta vez os Portugueses se revoltem, façam abaixo-assinados, criem fundos para apoio àquele Pai, exijam a intervenção do Parlamento, do Presidente, do Supremo, digam basta!
Eu por mim estou disponível, inclusivé para apoiar financeiramente, dentro das minhas posses. É que acho que as pessoas bem formadas (como me considero) desta vez não devem calar-se.
Não basta haver leis (e todos sabemos as multiplas interpretações, não é por isso que existem advogados?), é necessário é que da sua aplicação resulte Justiça!