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sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Os 25.000 Euros de Matilde Sousa Franco

Um dos argumentos que o Não tem usado nesta campanha é o de que o aborto clandestino não se combate com aconselhamento médico, mas com punição penal e apoio à maternidade (dando só ênfase ao segundo ponto, claro). O "trunfo" que usam costuma ser o das associações de solidariedade privadas que gerem, e que vivem dependentes de subsídios do estado. Escusado será dizer que as grávidas que procuram ajuda nestas instituições são mulheres que já decidiram levar avante a sua gravidez. E que o estado devia ajudar todas as grávidas directamente, e não subsidiando associações políticas de carácter privado, a solidariedade privada deve ser isso mesmo, privada, subsidiada portanto com fundos privados.

Mas estas desonestas subtilezas do discurso do Não atingiram um novo baixo de honestidade com o depoimento de ontem de Matilde Sousa Franco, no tempo de antena da Não Obrigada. Matilde contrapunha à nossa despenalização do aborto o subsídio criado pelo governo alemão, de 25.000€, para as mulheres grávidas, em Janeiro último. "Moderno é votar Não" assegurava. Como se de um voto Não dependesse a criação de subsídio idêntico em Portugal. Esquecendo que a Alemanha tem a lei do aborto que se quer para Portugal, votando Sim. Esquecendo que o Não venceu em 1998 e nem por isso o apoio à maternidade aumentou, mesmo havendo pelo meio dois Primeiros Ministros de direita...

Mulheres grávidas de Portugal, se o Não ganhar não hesitem, vão bater à porta da seu dona Matilde e exijam o dinheiro que vos prometeu.

Errata: Afinal o subsídio do governo alemão não é às grávidas, mas às novas mães. Não se entende por isso o elogio de Matilde, pois para o governo alemão um feto não é merecedor do subsídio, só um recém-nascido o é.

A mulher dos 7 abortos

Não sei que tipo de credibilidade se pode dar ao depoimento, visto num dos tempos de antena da Plataforma Não Obrigada, de uma mulher que dizia ter feito 7 abortos quando era jovem, que se arrepende muito e que por isso vota Não. A senhora é claramente pouco bafejada pela inteligência, só pode sê-lo para ter feito tantos abortos num tão curto espaço de tempo. Mas o mais extraordinário é ver alguém que afirma ter feito todos esses traumáticos abortos durante a vigência da actual lei, a lei que afinal defende votando Não. Uma pena que a defesa não vá até às últimas consequências, entregando-se numa esquadra, como conviria.

Será ela a musa inspiradora dos discursos do Não, que descrevem a mulher portuguesa como uma abortista compulsiva?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Quando só se tem a Kátia

O roubo é a única alternativa, a bem da vida dos tímpanos, claro. Tudo pela vidinha.

Actualização: também a Plataforma Não Obrigada usou sem consentimento uma música dos Madredeus, adianta a edição em papel do JN de hoje, e a Teresa Salgueiro não gostou mesmo nada.

terça-feira, janeiro 30, 2007

13 mulheres não valem nada, e o aborto nunca existiu

É a única conclusão possível depois de visto o novo outdoor da "Plataforma Não Obrigada". E isto, mesmo já dando de barato que um embrião, sem sistema nervoso, pode ser comparado a uma pessoa... *10, 9, 8, 7.... inspirar*

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Portugal é o 3º melhor do mundo, que a Nicarágua já está no céu!

Ainda no Jornal da Tarde de hoje, e imediatamente a seguir às notícias sobre o aborto (não fossem os espectadores perder a associação "aborto/baixa natalidade" por causa de alguma notícia de bola), a RTP divulgou um "estudo" da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas a alarmar para esse assunto, o da baixa natalidade. Estudos destes são a dar com um pau (dos sérios aos a brincar como este), estão longe de ser novidade, e se queremos taxas de natalidade altas como em França e na Dinamarca não é criminalizando o aborto que o conseguimos. Mas a ideia de noticiar o dito "estudo" era outra, ou não estivéssemos na RTP, e daqui até ao referendo ainda veremos várias notícias "inocentes" plantadas imediatamente a seguir às do aborto, como aliás já vimos esta semana, ora ginástica para grávidas em Vila Real, ora uma associação pelo parto natural... Estou até capaz de imaginar a próxima!
«Com uma eventual vitória do "sim" no referendo do dia 11 de Fevereiro, Portugal desceria do terceiro para o décimo lugar no ranking mundial de "países amigos da vida". Esta foi a principal conclusão do estudo do docente da Universidade do Minho e mandatário do movimento cívico Minho pela Vida, Luís Botelho Ribeiro, apresentado ontem à tarde, em Lisboa.

De acordo com o docente, Portugal "é o terceiro melhor país do mundo para nascer, logo atrás da Irlanda e da Suíça", que ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares. Mas o trabalho avança que caso o aborto seja despenalizado Portugal desceria para o décimo lugar.
»
(fonte: Plataforma Não Obrigada)
É isso mesmo, Portugal é o terceiro melhor país do mundo para nascer! *pausa para risos e lágrimas* Adiante, este nome, Luís Botelho Ribeiro, lembrou-me algo, e depois de se me fazer luz (pois é, perigosos abortistas como eu também tem essa capacidade de ocasionalmente fazerem luz sobre determinados assuntos), percebi melhor as razões de Portugal estar em 3º no tal estudo. É que Luís Botelho Ribeiro foi um dos candidatos a candidatos das últimas eleições presidenciais. Queixando-se da falta de atenção da televisão pública iniciou uma greve de fome que terminou 3 dias depois, não que a atenção da RTP tivesse chegado, apenas a fome que apertou e foi mais forte que a palavra dada. Suspeito portanto que o 3º lugar de Portugal no estudo mundial, se devem ao facto do sr. Ribeiro ter começado pela Irlanda, saltado para a Suíça, indo a Portugal, e tendo desistido de ir mais longe ao verificar a vastidão do globo terrestre.

À procura da confirmação dessa minha suspeita fui procurar o site do Minho pela Vida, não achei. Mas achei um Minho com Vida, que até é capaz de ser o que a Plataforma Não Obrigada refere, já percebemos há muito que esta gente com nomenclatura e língua portuguesa não vai longe... Lá chegado, estudo não encontrado, mas encontrei uma apetitosa notícia, apetitosa por ser tão esclarecedora do que move esta gente, a criminalização total do aborto, ora atentem:
«(...) agora arremete contra a lei que eliminou o falacioso aborto terapêutico na Nicarágua. (...) Entretanto, esta semana reapareceu nos meios exigindo na Nicarágua que se restitua o aborto terapêutico, a pesar que peritos médicos em todo mundo reconhecem que com os avanços científicos atuais *o aborto nunca é necessário para salvar a vida de uma mulher doente*.»
Bastante mais claros que Marcelos ou bispos viseenses, não? Querem-nos como a Nicarágua. O que é que se responde a isto?


sexta-feira, janeiro 05, 2007

Países errados seu dona Nogueira Pinto

Hoje pude apreciar na RTP várias declarações de militantes da "Plataforma não obrigada" (por falar nisso, o renas é o segundo resultado na busca no Google pela dita cuja plataforma, not bad!), e já deu para perceber que o prato forte vai ser a desonestidade financeira, mesmo que não seja de finanças nem de financiamentos o que trata o referendo. Aliás, supondo uma vitória vinculativa do Sim, a forma da aplicação da despenalização poderá ser sempre alterada no futuro sem novo referendo, desde que não seja modificado o princípio da não criminalização até às 10 semanas, que é do que se fala, não é demais repeti-lo. Mas resultado, valores inflacionados e despesas esquecidas, vai ser esse o prato forte.

Mais divertido foi ouvir, porque certamente que era gozo (nem Nogueira Pinto do alto do seu narizinho empinado poderá crer verdadeiramente que o eleitorado seja assim tão imbecil que engula estas cantilenas), a dizer algo como "em França este ano vai ser dedicado ao combate ao Alzheimer, na Alemanha a não-sei-quê, e Portugal dedica-o ao aborto?". Wrong countries lady Nog. Esses já tiveram os seus "anos do aborto", há décadas atrás, tantas quantas as que medem o nosso atraso face a eles. A sua comparação, para fazer um mínimo de sentido, teria que ser do tipo, "A Polónia vai dedicar este ano à coroação de Jesus, a Nicarágua vai dedica-lo à conversão dos ex-vermelhos ao catolicismo fundamentalista, e Portugal quer dedica-lo à emancipação feminina?".

sábado, dezembro 16, 2006

Contribuir com os meus impostos para financiar julgamentos e perseguições policiais de mulheres por fazerem algo legal no resto da Europa? Nunca mais!

Este cartaz do Bloco de Esquerda está excelente (via Devaneios), uma óptima resposta à mais recente demagogia do Não. E se o Não quer discutir finanças é melhor refazer as suas contas: perseguições policiais, julgamentos, tratamentos hospitalares devidos a abortos clandestinos, morte prematura de contribuintes devido ao aborto clandestino... façam lá as continhas e depois vão reler a pergunta do referendo s.f.f., é que não é isso que está em causa. Já sabíamos que estavam mal no português, mas na matemática não estão nada melhor...

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Mandatário do "Não obrigada" em Teerão

Faz todo o sentido de resto. Aprender o negacionismo dos direitos das mulheres é no Irão mesmo. Mas no caso o negacionismo era outro, o do Holocausto. E apesar de ser coisa conhecida e publicada pela comunicação social do mundo inteiro há vários meses, Nuno Rogeiro teve que ir ao Irão para perceber que era disso mesmo que se tratava. Pelos vistos era um de dois portugueses, sendo o outro um neo-nazi. O curioso é que a mesma direita que andou a gritar aos quatro ventos "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" a propósito, nomeadamente, do elogio iraniano à reeleição de Chávez na Venezuela, fala agora em "coragem" de Rogeiro, segundo ele próprio um "amigo do Irão". Recuso-me a usar o ditado reaccionário, mas haja um poucochinho de decência e vergonha na cara, sim?

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Plataforma Não Obrigada

Releio, mas continuo confuso. Sobretudo depois de ler isto. Afinal, antes obrigada que abortadeira. Deveria portanto ser "Plataforma Não, Obrigada". Mas isto levantaria outras dúvidas. O agradecimento parte de quem? E a quem é dirigido? Bom, parte de uma mulher, "obrigada", que agradece, mas rejeita, a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, subentende-se. Assim como, "Quer um bolinho? Não, obrigada.". Só que a despenalização não é um bolinho. Mas mesmo que tenhamos o mau gosto de o ver assim, como um bolinho, ele só é oferecido a quem aborta. Ou seja, não se trata de um "Quer abortar? Não, obrigada.". É antes um, "Abortou e não deve ser criminalizada por isso.". E respondem, "Não, obrigada."? Ou seja, quer ser criminalizada, é isso? É que minha amiga Plataforma, se não quer abortar é fácil, não aborte. E se abortando quiser ser criminalizada por isso, seja por favor mais clara na mensagem e dirija-se a quem de direito, pode ser mesmo a esquadra da área de residência, "Abortei, prendam-me e obrigada". Mas acima de tudo, deer Plat, ponha a porra de uma vírgula no nome, é que assim começo mesmo a desconfiar que só sendo obrigada alguém daria a cara por tal coisa.