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sexta-feira, outubro 19, 2007

Cheira a peste, cheira a Tratado de Lisboa

Quando a discussão de um tratado europeu consiste no apaparicar de uma sexualmente recalcada dupla de gémeos fascistas polacos, com interesse em conseguírem brilhos eleitoralistas imediatos, algo está profundamente podre na política europeia.

E quando a maior manifestação das duas últimas décadas em Portugal é menosprezada e secundarizada por toda a comunicação social (que aplaude bovinamente um tratado de que só conhece o nome, Lisboa, ai jesus!), algo está, também aí, profundamente podre.

E depois ainda vêm um papalvos, que não hesitariam em fazer pactos com o Demo it self, dizer que o problema está em Mugabe. Está bem está. (Falando nisso vale a pena comparar as avaliações aos direitos humanos no Zimbábue com a de "nações irmãs" como Angola ou a recém-irmanada Guiné-Equatorial).

PS: Diz que vai ser assinado num mosteiro... podre, profundamente podre e nauseabunda coisa será.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Será a Eslováquia o cavalo de Tróia do Vaticano contra a Europa?

Atenção à reportagem no Rue89.com. Numa altura em que continuam a chegar fétidos ventos de Leste. Mas também alguns sinais de resistência e esperança.

Por cá vai dando que falar a indignação do polvo vaticânico com a ideia do governo em deixar de pagar salários fixos a padres que "prestam serviços hospitalares", para passar a pagar tão valiosos serviços a recibos verdes - eis finalmente a igreja a lutar contra a precariedade. Num país sem saúde oral pública, andar a pagar a padres pelas suas rezinhas hospitalares, i.e., por andarem a propagandear a sua seita em busca de novos clientes por entre aqueles que se encontram mais fragilizados, os doentes, é um grosseiro insulto à nossa inteligência. Mas parece que 'tá-se bem...

Tal como essa mesma seita não teve problemas em pagar o dobro do previsto pelo novo megatemplo lá na terra dos pastorinhos visionários especialistas em futurologia pós-soviética. 80 milhões de euros. Ninharias portanto, já pagas, a pronto e provavelmente em cash... directamente das caixas de esmolas continuamente cheias por quem não tem grandes dentes, mas vai tendo uns trocos para pagar promessas que poderão ou não ser cumpridas. Aterrar em azinheiras é fácil, ter coragem para disponibilizar um livro de reclamações é que é pior...

A Eslováquia poderá ser o cavalo de Tróia, mas a nós ninguém tira a alcunha de sacristia papal. É pró que o Bentinho queira! Esta fétida lesma morta que se espapa à beira do velho Atlântico é sua e de mais ninguém. (Excepto talvez a Lusoponte, ricos negócios os da era cavaquista...)

terça-feira, julho 10, 2007

Governo polaco pode estar prestes a tombar

Óptimas notícias da Polónia, o governo de extrema-direita poderá cair ainda esta semana. Um dos partidos da coligação governamental, o Autodefesa, está de novo envolvido num escândalo, desta vez de corrupção, o que poderá levar à queda do executivo, que enfrenta uma moção de censura que será hoje levada ao parlamento. Isto pode transformar-se numa excelente notícia para a Polónia e para a UE.

Mas enquanto as melhores perspectivas não se confirmam (e só no Outono tal poderá acontecer), não podemos baixar os braços perante o autêntico golpe aos direitos humanos na União Europeia que o actual regime polaco defende. É só copiar e mandar por mail, tudo explicadinho no Coroas de Pinho.

PS: Mais sinais de desmoronamento...

PPS: Afinal ainda não foi desta. Mas o desmoronamento prossegue...

terça-feira, julho 03, 2007

Polónia: a solução é emigrar

O nome que precisam mesmo mudar é este: Kaczynski

«O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco estendeu o nome oficial do campo de Auschwitz-Birkenau para chamá-lo de "campo de concentração e de extermínio nazista alemão de Auschwitz-Birkenau (1940-1945)", anunciou nesta quarta-feira o ministro polonês da Cultura, Kazimierz Ujazdowski. (...)
Esta mudança de nome permitirá, segundo Varsóvia, que se evite que vários formadores de opinião falem de "campos poloneses" ao se referirem a Auschwitz-Birkenau e a outros campos de concentração ou de extermínio instalados pelos nazistas alemães na Polônia ocupada (1939-1945). "A decisão da Unesco é uma vitória da verdade histórica sobre a mentira", declarou o ministro polonês da Cultura e do Patrimônio, citado pela agência PAP.»
É vergonhoso que a Unesco se preste a este tipo de simplificações históricas, motivados apenas pela crescente vaga xenófoba anti-alemã que graça actualmente na Polónia. Toda a gente sabe onde surgiu o nazismo, este novo nome nada acrescenta. A simplificação apenas subtrai. Não é demais repetir: nem todos os alemães eram nazis, e nem todos os nazis eram alemães. E só uma memória completa e honesta do que aconteceu poderá evitar que se repita, onde quer que seja.

A excepção moral polaca

«El conservador Gobierno polaco, comandado por los gemelos Lech y Jaroslaw Kaczynski (presidente y primer ministro, respectivamente), pretende que sus 38 millones de ciudadanos no tengan los mismos derechos que el resto de los europeos. Varsovia ha incluido en el borrador del futuro tratado de la UE una cláusula de moralidad que, en la práctica, impedirá a los polacos protestar ante el Tribunal europeo de Luxemburgo cuando se les acuse en Polonia de violar la moral pública y la integridad física y familiar. (...) La inclusión de esta cláusula de moralidad no es definitiva y aún existe la posibilidad de que se elimine del texto durante la presidencia portuguesa de la UE.» [via]
Ou sai a excepção, ou sai a Polónia ou não sai mesmo novo tratado. A bem da sanidade mental do continente.

segunda-feira, julho 02, 2007

Let's come together

A Comissão Europeia decidiu estrear-se em grande no YouTube. Este é um dos filmes no recém-criado canal (também com uma versão em alemão). Segundo comentários de quem gere o dito canal, depois de recebidas críticas pela escolha de um site americano, há interesse em abrir novos canais de vídeo on-line não apenas noutros idiomas, mas também noutros sites similares (como o DailyMotion, que é europeu).

Seja como for o que tem dado que falar é mesmo este vídeo, que mostra o apoio da Comissão ao cinema europeu. Os tablóides ingleses já estão todos excitados, o conservador e anti-europeísta Times cita um deputado britânico que diz: «Suponho que o filme é apropriado. A UE anda a foder a Grã-Bretanha há 30 anos.» Eu acho que é mais o contrário, mas giro é constatar que o hard-core deixou de ser linguagem exclusiva dos eurocépticos. Let's come together, shall we?

Actualização: chovem queixas da Polónia, segundo a BBC, por causa da cena entre dois homens. Por "cena entre dois homens" entenda-se o segundinho que só com muita atenção (e interesse pela temática) se consegue vislumbrar no video (aos 15 segundos, não sei de qual filme). Já a cena lésbica, do "8 femmes", distingue-se melhor.

sábado, junho 23, 2007

Algo está podre em Bruxelas

Os sorrisinhos e beijinhos destes dois só podem gerar as maiores desconfianças. Diz-se que afinal se conseguiu cozinhar um tratado "essencial" para o futuro da UE. Diz-se mas ainda não se sabe do que se fala. Muito vago e misterioso para algo tão essencial. Há quem garanta que é quase o mesmo que a defunta constituição, mas também dizem que é "muito mais simples", pelo que não necessita de referendos para a sua aprovação.

Pelo meio terão sido feitas cedências aos fascistas polacos, cujo comportamento, mais do que ridículo, foi obsceno, hipócrita, chantagista e profundamente anti-europeu. Por muito menos foi imposto à Áustria um cordão sanitário, e agora deixa-se que o futuro da Europa seja discutido dentro dos limites impostos pelos gémeos Kaczynski. Tenebroso.

Quanto ao ridículo mais uma nota, segundo o New York Times as contas sanguinárias da dupla de Varsóvia tiveram ainda direito a uma comitiva de 10 matemáticos, para "provarem" o cálculo. Como se lê no Guardian, faz lembrar a estória do filho que mata os pais e pede a absolvição ao juiz, pois afinal agora é apenas um pobre orfão.

sexta-feira, junho 22, 2007

Um país de zombis

«The proposed new voting system would link voting strength to population, so Poland sees the question of its war dead as highly relevant.

"We are only demanding one thing, that we get back what was taken from us," Prime Minister Jaroslaw Kaczynski told national radio this week.

"If Poland had not had to live through the years of 1939-45, Poland would today be looking at the demographics of a country of 66 million."

The country's population is currently 38m, compared to Germany's 82m. Since Poland has 27 votes to Germany's 29 under the existing system, Germany would be the biggest beneficiary of the proposed change.»
Já suspeitava há muito, eis a confirmação. Só estranho não contarem ainda os abortinhos do período comunista, até suecas lá iam! Outros tempos, mas com esses devia dar pelo menos uns 100 milhões de polacos, todos merecedores de direito ao voto, claro. Agora a sério, não dá para aproveitar este incidente e corre-los porta fora? Tipo, olhem caros voltem mais tarde, quando a maioria da população for do tipo que respira, ok? Do widzenia!

Nota: O cartaz original
é este, a minha manipulação tosca é made in Paint mesmo. O "zumbis" é porque entre anglicismos ("zombies") e brasileirismos, prefiro naturalmente os segundos, embora "zombis" também possa ser um aportuguesamento válido. Mas zumbis soa-me mais catita. PS: Ou talvez não, ver comentários.

sábado, junho 02, 2007

Separados à nascença?

Os gémeos Kaczyński, que governam e presidem a Polónia, a ladear Daffyd, the only gay in the village. As semelhanças físicas são notórias, mas creio que foram sobretudo os desejos e frustrações partilhados com Daffyd o principal motivo para a censura desta cena em especial do "Little Britain". I've said it before vicar, and I'll say it again: what that boy needs is a nice big cock up is arse. Definitivamente a moral da estória vale para os três.

sexta-feira, junho 01, 2007

Se fosse na Venezuela não se falaria noutra coisa

E muito pior:
«La Fundación 'Igualdad', que agrupa a los colectivos de homosexuales y lesbianas polacos, ha denunciado que la Policía ha emprendido una campaña de incitación a la denuncia entre las personas con esta orientación sexual.

La operación de recopilación de datos sobre los homosexuales se desarrolla en toda Polonia, según relató al diario varsoviano 'Metro' Janusz Boguszewicz, periodista de los portales en internet de los colectivos homosexuales.

'Fui citado por la Policía a la comisaría, donde se me interrogó exigiendo información sobre todos mis amigos y conocidos homosexuales', dijo Boguszewicz.

El policía que le interrogó tenía sobre la mesa varios artículos escritos por Boguszewicz y publicados en internet, y quería saber quién le había inspirado para escribirlos.

Cuando Boguszewicz denunció lo que le había pasado inmediatamente informaron sobre sucesos similares muchos otros homosexuales de diferentes ciudades.

Szymon Niemiec, homosexual domiciliado en Varsovia, denunció que él había sido interrogado por agentes de la Agencia de Seguridad Interior.

'Me preguntaron por los activistas de nuestras organizaciones, me enseñaron sus actas y pude convencerme de que la Policía hace un seguimiento muy minucioso de todos los asuntos relacionados con la homosexualidad que aparecen en internet', señaló Niemiec.

Malgorzata Rawinska, de la Fundación 'Igualdad', opina que la Policía quiere que los homosexuales sepan que están sometidos a un estricto control y que el objetivo de toda la operación es asustar a esos colectivos para que vuelvan a tener miedo a manifestar sus ideas en público.»
Via Chuza!.

O Tinky Winky safou-se, mas o Daffyd ficou mais só que nunca

Homofobia de Leste

Ali ao lado no Renas TV está a passar uma reportagem da CNN sobre a violência homofóbica em Moscovo, no YouTube encontram-se várias outras, é só entrar e navegar. Mas vale mesmo a pena ler a reportagem do The Guardian de hoje sobre estes surtos homofóbicos a Leste. Partidos ultranacionalistas, fundamentalistas religiosos das velhas igrejas e das novas seitas evangélicas, que florescem agora por aqueles lados, são os motores da vaga de ódio que prossegue sem grandes obstáculos por parte da UE.

segunda-feira, abril 30, 2007

Nunca se viu nada assim em Varsóvia

Um milhão de turcos nas ruas de Istambul a exigir a continuidade e reforço da laicidade do estado fundado por Mustafa Kemal Atatürk. A manifestação, convocada por cerca de 600 ONGs, surge na consequência da candidatura de um islamita conservador, Abdullah Gül, à presidência do país. Tivesse a UE metade do zelo com a Polónia do que tem com a Turquia, e ainda estaria pelos 26 membros...