Mostrar mensagens com a etiqueta nicarágua. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nicarágua. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Portugal é o 3º melhor do mundo, que a Nicarágua já está no céu!

Ainda no Jornal da Tarde de hoje, e imediatamente a seguir às notícias sobre o aborto (não fossem os espectadores perder a associação "aborto/baixa natalidade" por causa de alguma notícia de bola), a RTP divulgou um "estudo" da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas a alarmar para esse assunto, o da baixa natalidade. Estudos destes são a dar com um pau (dos sérios aos a brincar como este), estão longe de ser novidade, e se queremos taxas de natalidade altas como em França e na Dinamarca não é criminalizando o aborto que o conseguimos. Mas a ideia de noticiar o dito "estudo" era outra, ou não estivéssemos na RTP, e daqui até ao referendo ainda veremos várias notícias "inocentes" plantadas imediatamente a seguir às do aborto, como aliás já vimos esta semana, ora ginástica para grávidas em Vila Real, ora uma associação pelo parto natural... Estou até capaz de imaginar a próxima!
«Com uma eventual vitória do "sim" no referendo do dia 11 de Fevereiro, Portugal desceria do terceiro para o décimo lugar no ranking mundial de "países amigos da vida". Esta foi a principal conclusão do estudo do docente da Universidade do Minho e mandatário do movimento cívico Minho pela Vida, Luís Botelho Ribeiro, apresentado ontem à tarde, em Lisboa.

De acordo com o docente, Portugal "é o terceiro melhor país do mundo para nascer, logo atrás da Irlanda e da Suíça", que ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares. Mas o trabalho avança que caso o aborto seja despenalizado Portugal desceria para o décimo lugar.
»
(fonte: Plataforma Não Obrigada)
É isso mesmo, Portugal é o terceiro melhor país do mundo para nascer! *pausa para risos e lágrimas* Adiante, este nome, Luís Botelho Ribeiro, lembrou-me algo, e depois de se me fazer luz (pois é, perigosos abortistas como eu também tem essa capacidade de ocasionalmente fazerem luz sobre determinados assuntos), percebi melhor as razões de Portugal estar em 3º no tal estudo. É que Luís Botelho Ribeiro foi um dos candidatos a candidatos das últimas eleições presidenciais. Queixando-se da falta de atenção da televisão pública iniciou uma greve de fome que terminou 3 dias depois, não que a atenção da RTP tivesse chegado, apenas a fome que apertou e foi mais forte que a palavra dada. Suspeito portanto que o 3º lugar de Portugal no estudo mundial, se devem ao facto do sr. Ribeiro ter começado pela Irlanda, saltado para a Suíça, indo a Portugal, e tendo desistido de ir mais longe ao verificar a vastidão do globo terrestre.

À procura da confirmação dessa minha suspeita fui procurar o site do Minho pela Vida, não achei. Mas achei um Minho com Vida, que até é capaz de ser o que a Plataforma Não Obrigada refere, já percebemos há muito que esta gente com nomenclatura e língua portuguesa não vai longe... Lá chegado, estudo não encontrado, mas encontrei uma apetitosa notícia, apetitosa por ser tão esclarecedora do que move esta gente, a criminalização total do aborto, ora atentem:
«(...) agora arremete contra a lei que eliminou o falacioso aborto terapêutico na Nicarágua. (...) Entretanto, esta semana reapareceu nos meios exigindo na Nicarágua que se restitua o aborto terapêutico, a pesar que peritos médicos em todo mundo reconhecem que com os avanços científicos atuais *o aborto nunca é necessário para salvar a vida de uma mulher doente*.»
Bastante mais claros que Marcelos ou bispos viseenses, não? Querem-nos como a Nicarágua. O que é que se responde a isto?


sexta-feira, janeiro 05, 2007

Países errados seu dona Nogueira Pinto

Hoje pude apreciar na RTP várias declarações de militantes da "Plataforma não obrigada" (por falar nisso, o renas é o segundo resultado na busca no Google pela dita cuja plataforma, not bad!), e já deu para perceber que o prato forte vai ser a desonestidade financeira, mesmo que não seja de finanças nem de financiamentos o que trata o referendo. Aliás, supondo uma vitória vinculativa do Sim, a forma da aplicação da despenalização poderá ser sempre alterada no futuro sem novo referendo, desde que não seja modificado o princípio da não criminalização até às 10 semanas, que é do que se fala, não é demais repeti-lo. Mas resultado, valores inflacionados e despesas esquecidas, vai ser esse o prato forte.

Mais divertido foi ouvir, porque certamente que era gozo (nem Nogueira Pinto do alto do seu narizinho empinado poderá crer verdadeiramente que o eleitorado seja assim tão imbecil que engula estas cantilenas), a dizer algo como "em França este ano vai ser dedicado ao combate ao Alzheimer, na Alemanha a não-sei-quê, e Portugal dedica-o ao aborto?". Wrong countries lady Nog. Esses já tiveram os seus "anos do aborto", há décadas atrás, tantas quantas as que medem o nosso atraso face a eles. A sua comparação, para fazer um mínimo de sentido, teria que ser do tipo, "A Polónia vai dedicar este ano à coroação de Jesus, a Nicarágua vai dedica-lo à conversão dos ex-vermelhos ao catolicismo fundamentalista, e Portugal quer dedica-lo à emancipação feminina?".

sábado, novembro 18, 2006

Do que não fala a imprensa

Já aqui me tinha queixado do pouco que se falou na imprensa portuguesa sobre a criminalização total do aborto na Nicarágua, entre outros temas. Lanço agora nova lista de assuntos tabu da comunicação social portuguesa:

1) Legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na África do Sul. Vários motivos pelos quais o assunto devia ter despertado a atenção da imprensa portuguesa. A África do Sul tem das maiores comunidades portuguesas a residir fora do país, foi a primeira república em todo o mundo a avançar com esta lei, o primeiro país africano, e como lembra a ILGA Portugal:
«A decisão do Tribunal Constitucional da África do Sul tem um eco particular no caso português. De acordo com o Tribunal, a anterior definição legal de casamento era "incompatível com a Constituição e não válida na medida em que não permite aos casais do mesmo sexo beneficiarem do estatuto e das vantagens, bem como das responsabilidades, que atribui aos casais heterossexuais". A Associação ILGA Portugal chama a atenção para o facto de existir a mesma proibição explícita da discriminação com base na orientação sexual nas Constituições da República Sul-Africana e da República Portuguesa. Portugal é, aliás, o único país da Europa cuja Constituição inclui essa proibição explícita.»
E tal como aconteceu na África do Sul, também nos tribunais portugueses anda um processo que procura esta medida. Teresa e Lena, lembram-se?

2) Por falar em ILGA, os prémios arco-íris 2006 (fotos e discursos no link) foram simplesmente ignorados pela imprensa nacional. Valha Espanha, a agência EFE noticiou, e os ditos foram notícia da Tribuna de Salamanca ao El Mundo.

3) Esta é por antecipação. Está a ser lançada agora uma petição mundial pela descriminalização da homossexualidade em todo o globo (lembro que continua a ser crime o sexo consentido entre adultos do mesmo sexo em boa parte da Terra, sobretudo em África e Ásia, mas também em países como a Nicarágua ou a Guiana, e é punido com pena de morte em 9 destes países). A petição já conta com assinaturas sonantes como a do sul-africano Desmond Tutu ou a austríaca Elfriede Jelinek, ambos laureados com o prémio Nobel (paz e literatura respectivamente). Uma lista provisória pode ser lida aqui, já lá têm dois nomes portugueses, mas há mais. Será que nisto a imprensa pega? Mais informações sobre como vão ser recolhidas as assinaturas em Portugal em breve, quanto mais não seja, no renas.

Em que vota quem vota Não?

«Assim, o que vamos decidir nas mesas de voto é o modelo de sociedade que queremos seja a nossa, isto é, o que vamos referendar é apenas se queremos a talibanização de Portugal!

Ninguém pense que
se os pró-prisão vencerem o referendo a Igreja se contenta com tão pouco! O referendo é um teste que se ultrapassado será apenas o primeiro passo para a regressão civilizacional ao totalitarismo católico medieval por que o Vaticano tanto almeja!»
É que não duvidem disto. Basta ver aliás a mais recente campanha de envio de e-mails promovida pela associação ultra-católica e ultra-conservadora HazteOir.org de Espanha: parabéns aos deputados da Nicarágua que legislaram a criminalização de todos os tipos de aborto, incluindo quando está em causa a vida da mulher e mesmo se o feto está morto. Note-se que os movimentos pró-vida portugueses têm estreitas ligações a este grupo (participaram até da célebre manif anti-casamento entre pessoas do mesmo sexo no ano passado em Madrid), e se oficialmente não assumem que é isto que pretendem, não é difícil perceber que é exactamente uma lei à Nicarágua que desejam para nosso o país. Que ninguém se iluda com sondagens (iguais às de 98 aliás), uma segunda vitória do Não abrirá caminho para a talibanização de Portugal.

terça-feira, novembro 07, 2006

A comunicação social e o aborto: 3 perguntas pertinentes

1) Não é só a Renascença, também a RTP gosta de ilustrar as apresentações das suas peças sobre o referendo à despenalização da IVG com imagens de fetos com mais de 10 semanas. Porquê? Mas o referendo não é sobre uma questão penal? Não é sobre se se punem ou não as mulheres que abortam até às 10 semanas? Cadê o martelinho de juiz ou as grades da cadeia que se vêem em qualquer outra apresentação de notícias sobre temas penais!?

2) Porque razão quase não se ouviu falar da reforma penal nicaraguana? Numa altura em que se discute a alteração da lei portuguesa parece-me elementar destacar-se isto. Será que o silêncio se vai manter face à Polónia? É que não deixa de ser engraçado que se passe a vida a ouvir falar "nos perigos da liberalização", quando a lei socialista continuará a ser das mais restritivas do continente europeu e quando os sinais de alterações mais recentes a nível global são extremamente preocupantes, e seguem o sentido apontado pelo Vaticano: criminalização até quando o aborto é justificado pela existência de risco de vida para a mulher.

3) Porque ninguém pergunta à Miss Vodka Laranja sobre a legitimidade de suspender os julgamentos a mulheres que abortam no caso do Não ganhar? É que a senhora anda por aí feita tresloucada a gritar aos quatro ventos que se podem travar os julgamentos mesmo que o Não vença, e eu não estou a ver como fazer isso sem desrespeitar por completo esse hipotético resultado. Ou a senhora é mesmo burra e acredita no que diz, apesar de ser óbvio que toda a restante frente criminalizadora vê com bons olhos uma alteração à la Nicarágua. Ou então a senhora mente intencionalmente, visando confundir o eleitorado, e naturalmente que deve ser confrontada com as suas incoerências.

terça-feira, outubro 31, 2006

Desisto

Alguém é capaz de me explicar o que é que a Edite Estrela está a fazer na mesa do Sim?

Desonestidades à direita:

1) A lei actual criminaliza, o voto Sim no referendo visa descriminalizar, se a Zita quer descriminalizar então não vota Não a isso mesmo, right? Wrong, de acordo com a Miss Vodka Laranja é ao contrário, agora o que está a dar é o eleitoralmente incorrecto, vote o contrário do que defende!

2) O número de abortos aumentou nos EUA, certo. Mas a população aumentou muito mais, logo, a taxa de abortos baixou. Mas esta segunda parte não foi dita pelo betinho da direita.

3) Isilda Pegado, francamente, um mínimo de frontalidade! A honestidade intelectual definitivamente não tem espaço no meio de tanta valorização dos embriões. A Isilda não disse, mas é bastante claro, quer uma lei igual à da Nicarágua!

PS: Grande Fernanda Lapa!!! (Pois, não resisti a mais uma espreitadela, valeu pela Fernanda, mas de castigo levei com a Teté).

PPS: Dizem-me que estou a ser injusto com a Edite Estrela. É possível, vi só bocados da coisa, mas num deles apanhei uma estranha comparação entre abortos e tratamentos a toxicodependentes que... enfim.. e sempre aquela falta de convicção, aquela caridadezinha cristã.. arghh....

PPPS: Ok, se a Manel também o diz é porque é mesmo. Retiro então a pergunta de cima, está respondida.