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sexta-feira, dezembro 18, 2009

Irá o BE juntar-se ao bloco homofóbico no parlamento?

Näo é maldade minha, quem sugere isto é, voilá, Ana Drago, sabe-se lá por influencia de que zelosos militantes anti-casamento, ou se calhar sabe-se mas nao vale a pena nomear, grrrrrrrrrrr.

Pontos importantes, para o BE lembrar e reflectir.

Na legislatura passada o BE era o único partido com compromissos eleitorais claros relativos á homoparentalidade. E foi também o único partido a trai-los, quando propos uma lei da procriacao medicamente assistida que excluia as lésbicas

Dito isto, o BE tem pouca ou nenhuma legitimidade para acusar o PS de discriminar gays e lésbicas no campo da parentalidade, e nao pode de forma alguma usar isso como desculpa esfarrapadíssima para lixar o casamento. Se o BE se abstiver na votacao do casamento, como ameca Drago (hallo Drago? Terra calling...) isso será na prática um voto contra, como o do CDS ou PSD. Com uma enorme diferenca, PSD e CDS avisaram que iriam votar contra durante a campanha eleitoral. O BE disse exactamente o contrario. ABSOLUTAMENTE NADA justificaria uma abstencao do BE nesta votacao. A näo ser pulhice, mentira, traicao e homofobia da pior espécie. Aguardo curioso por novas informacoes ou esclarecimentos deste partido.


PS
: Talvez seja útil deixar aqui, em jeito de PS um comentário que escrevi n'Os Tempos que correm, apesar de alguma repetição. Já a falta de acentos do post acima e abaixo, lamento, mas agora tenho preguiça de corrigir.
«Quem me dera estar a ser injusto com o BE, quem me dera! Sem ponta de ironia. Mas não é de agora que não vejo qualquer real comprometimento dos dirigentes do BE com os direitos LGBT, mas apenas fazem deles um uso oportunista. Exemplos, aquando da PMA esqueceram-se, aquando da questão Teresa e Lena decidiram aproveitar a onda mediática e encostar o PS à parede, mesmo sabendo que isso daria em nada, pelo contrário, poderia criar precedentes negativos para o futuro da causa. Finalmente vejo o BE muito facilmente tomado de assalto por meia dúzia de lunáticos cujo sonho de vida é a eternização do Maio de 68.

Insisto, quem me dera estar enganado. Infelizmente ainda não me foi dado ver nenhum comprometimento sério por parte do BE nestes tempos mais recentes. E se o BE anda de facto a fazer jogatana política à custa de gays e lésbicas, lamento também, mas isso para mim é pura homofobia… do tipo dissimulado. Enfim, caberá ao BE desmentir-me.»


PPS: No final imperou o bom senso na bancada do BE, ótimo.

domingo, outubro 25, 2009

Um debate que se desejaria sóbrio, a bem de todos

Está a chegar a hora em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo será legalizado em Portugal. Já pouco falta, é uma inevitabilidade. O grande debate, a grande discussão sobre o assunto, já foi ganha. Todos sabem que qualquer outra solução visaria apenas manter alguma discriminação, ao menos simbólica, qualquer outra solução seria uma solução contra a igualdade. O debate já foi ganho.

Portugal nem sequer poderá arrogar-se grande pioneirismo, o casamento é uma realidade com quase 10 anos na Holanda e quase 5 na vizinha Espanha, além de estar presente também na Bélgica, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia e em alguns estados dos Estados Unidos. Para breve também está anunciada a sua legalização no Luxemburgo, Islândia e Nepal. Sim, Nepal. O casamento entre pessoas do mesmo sexo já nem sequer é uma realidade exclusiva do direito civil, com o recente reconhecimento por parte da Igreja da Suécia.

Agora falta apenas que o Partido Socialista, o PCP, o PEV e o Bloco de Esquerda, cumpram no parlamento as suas promessas eleitorais. Para isso foram mandatados pelos eleitores no passado dia 27 de Setembro.

Face a tudo isto, recomendar-se-ia aos opositores do casamento entre pessoas do mesmo sexo alguma contenção e prudência. Naturalmente não lhes peço que se calem, mas que tenham noção da realidade e mantenham uma postura sóbria.

Achará realmente a igreja católica portuguesa que terá algo a ganhar em ir para a rua gritar, como fez a homóloga espanhola? Acentuando clivagens, afastando muitos crentes, e para no fim obter o mesmo resultado no parlamento? À igreja é especialmente fácil sair desta discussão sem mancha de escândalo e sem recuar um milímetro na sua posição. Afinal a igreja nunca reconheceu como válido o casamento civil, e apenas isso teria que lembrar ao dizer que se opõe, mas desvaloriza a alteração que este sofrerá.

Com esta postura ganharia a igreja, que se pouparia a escusados danos de imagem, e ganharia o país, capaz de decidir um assunto sem histeria, sem dramatismo escusado, sem discursos do fim do mundo.

No entanto sinais surgem de que há muita gente interessada em fazer-se notar por isso mesmo, dramatismo histérico, homofobia militante e pesadelos do fim do mundo:
«"As pessoas que votaram sabiam a posição dos partidos. Agora quero é saber o que pensam os juristas sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo", desafia D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas.»
Januário Ferreira reconhece então a clareza dos resultados eleitorais, mas mantém a esperança de que por vias travessas possa travar a medida. Difícil imaginar como, num dos poucos países que proíbe a discriminação com base na orientação sexual na sua própria constituição.
«O grupo dos militantes socialistas católicos quer promover um referendo sobre o casamento homossexual se a proposta do PS passar na Assembleia da República e propõe-se participar na recolha de 75 mil assinaturas para o conseguir. (...)

Nesta matéria, consideram que o PS está «ideologicamente baralhado» e a seguir o BE e lamentam que «defina como prioritário o casamento homossexual» quando se vive «numa altura de crise social» em vez de se concentrar «no combate à pobreza e ao desemprego».
E a insanidade desperta. Nunca ninguém ouviu falar nesta "tendência" do PS durante a campanha eleitoral, caladinhos que estavam nas suas discretas posições nas listas. Podiam ter-se insurgido contra a promessa de Sócrates (de Janeiro), contra o programa eleitoral do PS que foi às urnas, mas não, só agora se ouve falar de Cláudio Anaia e seus comparsas. Que acham que há prioridades mais altas, assuntos mais prementes onde concentrar energias, mas simultaneamente estão dispostos a ir para as ruas recolher assinaturas, para depois gastar milhões e tempo num referendo - uma ferramenta tão mal amada pelo eleitorado português, onde nunca se obteve sequer 50% de participação. Tudo isso para travar algo que pode ser resolvido numa tarde no parlamento, para contentamento de muitos e sem dano para ninguém. (Quanto à conversa das prioridades ler também este texto de Fernanda Câncio.)
«Cerca de 40 representantes de movimento e associações de todo o país estiveram ontem reunidos em Lisboa com o casamento de homossexuais em agenda.»
O ódio é mesmo capaz de mover multidões. Pessoas que não querem casar com alguém do mesmo sexo movem-se de todo o país até Lisboa, para se encontrarem com outros de mesmo opinião, e juntos tentarem impedir aqueles que efetivamente querem casar com alguém do mesmo sexo, de o fazerem. Pobre e triste viver este.

Sim os tempos são de crise, por isso mesmo é importante que agora, mais que nunca, as pessoas se unam em torno de objetivos positivos e construtivos. O casamento entre pessoas do mesmo sexo se algum impacto económico tem, é certamente positivo, desde o benefício óbvio de todos os agentes económicos ligados à celebração de casamentos, à maior segurança económica de que gozarão os novos casais. Mas há sobretudo um enorme impacto moralizador para uma camada da população que vê finalmente reconhecida a validade e legitimidade das suas relações amorosas. Uma vez legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma série de novas possibilidades de vida se abre para uma parte significativa da população, sem prejuízo de ninguém. E se uma parte de nós passa a ter novos caminhos para a felicidade, todos nós ganhamos com isso.

Os opositores têm mesmo a certeza que querem vincar o seu lugar no lado errado da história? Sejam homofóbicos à vontade, mas mantenham um mínimo de estilo e elegância, só têm a ganhar com isso.

quinta-feira, maio 31, 2007

O recuo nicotinodependente

Porque é que raio o governo o escolheu o dia mundial do não-fumador para anunciar que afinal as multas para quem fumar em local não permitido não vão ser tão altas como inicialmente anunciado? Qual é a ideia? Não era acabar com o fumo em local público fechado? Palermice pura, mas palermice que sai cara.

Quando Portugal é o país europeu com mais alta percentagem de gente favorável a uma lei firme (alta ao ponto de incluir uma grande percentagem de fumadores), não há desculpas para estes recuos e flexibilizações da lei. A acontecerem o único efeito será matar o propósito da lei (e não será este o único a morrer), tal qual aconteceu em Espanha, onde ninguém liga à dita. Lei flexível é a actual, a que temos desde sempre, os estabelecimentos são livres de proibir o fumo, os fumadores são livres de decidirem não fumar para cima dos outros. Mas o que se verifica é que a maior tolerância dos não-fumadores com o fumo, do que a dos fumadores com a possibilidade de não fumarem, gera uma omnipresença tabágica nos locais fechados. É por isso que o estado deve agir, e deve fazê-lo da única forma capaz de produzir os efeitos pretendidos, banindo o fumo dos locais públicos fechados. Tão simples quanto isto. Se o fazem na Suécia e seus Invernos gelados, em Portugal é ainda mais fácil, sem "mas" nem meio "mas".

PS: E para que fique claro o quão forte é a minha posição neste assunto (sim, eu sim, fascismo higienista etc e tal) adianto que (já que fiz uma declaração de voto na altura) se as eleições legislativas fossem hoje não votaria no Bloco de Esquerda, sendo as suas patetices em torno deste assunto uma das razões mais fortes para não o fazer. A luta pela saúde dos trabalhadores não pode ser hipotecada só porque colide com o cigarrinho dos deputados do Bloco.

sábado, fevereiro 17, 2007

Discussões só em assuntos que tenham unanimidade

«Em Aveiro, o secretariado da JS vai discutir a oportunidade de reapresentar o projecto do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que não prevê a adopção de crianças por casais homossexuais.

O semanário SOL, no entanto, avança nesta edição que PS, BE e PCP não estão interessados na discussão de temas fracturantes nos próximos tempos.»

Notar que no Sol "temas fracturantes" já nem leva aspas. Eu só não percebo é porque é que raio precisamos de um parlamento, se é só para discutir assuntos em que todos estão de acordo, é uma despesa perfeitamente escusada. Mas se calhar discutir a extinção do parlamento é mais um "tema fracturante", pelo que mais me vale ficar caladinho...

sábado, janeiro 27, 2007

O Não e a extrema-direita

Já se sabia que a extrema-direita estava pelo Não no referendo antes mesmo da campanha começar. Basta lembrar que Hitler criminalizava o aborto quando praticado por mulheres arianas, cuja função era parir mais filhos para a pátria. Até aqui nada de novo, nenhum motivo para notícia sequer, a melhor forma de se lidar com isto, já se sabe, é com um cordon sanitaire. Ao Não democrático competia apenas não se deixar confundir com o Não nazi.

Problemas da periferia e imaturidade democrática, o Não do Establishment (CDS, ala direita do PSD e legião de Maria do PS) prefere a extrema-direita a um partido democrático e com assento parlamentar como o Bloco de Esquerda. Desde que este partido denunciou as ligações do "Blogue do Não" ao blog "Pela Vida", o BE está sob ataque cerrado pelas hostes do Não, que o acusam, claro, de "extremismo", mas pouco se esforçam para mostrar as diferenças face à extrema-direita. E não são apenas links que os ligam, até debates conjuntos já tiveram. E mesmo com alguma boa vontade, a verdade é que não se vislumbram diferenças entre os argumentos de uns e outros. A mistura do Não com a extrema-direita não foi criada pelo Bloco, esteve sempre lá, e só não vê quem não quer.

sábado, dezembro 16, 2006

Contribuir com os meus impostos para financiar julgamentos e perseguições policiais de mulheres por fazerem algo legal no resto da Europa? Nunca mais!

Este cartaz do Bloco de Esquerda está excelente (via Devaneios), uma óptima resposta à mais recente demagogia do Não. E se o Não quer discutir finanças é melhor refazer as suas contas: perseguições policiais, julgamentos, tratamentos hospitalares devidos a abortos clandestinos, morte prematura de contribuintes devido ao aborto clandestino... façam lá as continhas e depois vão reler a pergunta do referendo s.f.f., é que não é isso que está em causa. Já sabíamos que estavam mal no português, mas na matemática não estão nada melhor...