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segunda-feira, junho 25, 2007

©ultura e ©ivilização

Na televisão pública calho ver uma reportagem, e digo calho porque ninguém tem resistência para ver um Telejornal de ponta a ponta, sobre uma operação policial contra a pirataria da TV Cabo. Pessoas que recebiam o sinal da TV paga em casa sem pagarem tostão. A jornalista da TV pública assegurava que isso era o mesmo que furto. E eu que ingenuamente pensava que furto implicava a subtracção de qualquer coisa a alguém. Ou será que o sinal de cabo que as pessoas usavam deixou por isso de chegar a outras, dispostas a pagar por ele?

Um anúncio algures na net diz-me que "Combater a pirataria é um sinal de cultura e civilização. ©". Sigo curioso o link e deparo-me com um cartaz que mostra um novo desempregado, por ter feito downloads ilegais no local de trabalho, um CRIME realça o mesmo cartaz, que ainda urge todas as empresas a agirem de igual modo com os seus funcionários infractores. "Cultura e civilização", claro, não há nada de terrorista ou sequer intimidatório nisto.

O que vale é que a polícia está a atenta e põe os seus agentes ao serviço de tão urgente combate. Até GNRs acompanham os srs. do copy right nas suas cobranças junto dos estabelecimentos que passam música da Madonna ou Mozart sem darem tostão aos artistas. Uns autênticos anjos da guarda estes srs., que garantem assim que o justo prémio chega aos detentores dos direitos, que ninguém ouse duvidar.

E afinal pagamos impostos para alguma coisa é, para termos os nossos direitos assegurados. Nomeadamente para termos informação rigorosa e de acesso livre. Bem, quer dizer, mais ou menos livre. Pagam-se os impostos e depois paga-se mais a mensalidade do cabo se queremos ver o canal de informação (mais ou menos rigorosa) da TV pública... Mas enfim, que importa isso? Cultura e civilização é para quem pode pagar, não é para quem quer ;)

sábado, junho 16, 2007

Barrigas ideologicamente fracturantes

Está anunciado para o próximo domingo na RTP1 não apenas a repetição dos momentos cavaquistas cortados pela publicidade, por exigência directa da cavacal presidência, mas também uma catita concentração apelidada de "Barrigas de Amor": «O Parque dos Poetas, em Oeiras, vai acolher no dia 17 de Junho, uma campanha inédita de incentivo à natalidade onde o ponto alto será a maior concertação de grávidas do mundo, para entrar no Livro Guinness dos Recordes.»

Isto é o que se lê no site da RTP, o site oficial é ainda mais sinistro. "Mundo ocidental (...) redução da natalidade", "corajosas que assumem a maternidade", "não se pretende entrar no diferendo sobre a interrupção voluntária da gravidez", mas é afinal só isso que pretendem. Rapidamente se percebe que a iniciativa (apoios: Renascença, Ajuda de Berço, etc.) parte dos grupos do Não no referendo. Perdida essa batalha, continua-se a guerra. A invenção e fomento da ideia de baixa natalidade enquanto problema nacional é o próximo passo, Cavaco também já deu para o peditório - não em bebés, mas em disparates.

Os problemas reais do país continuam a ser os relacionados com a educação, saúde, baixos salários... Resolvidos estes, a natalidade sobe naturalmente, para valores que garantem a substituição das gerações e até ligeiros crescimentos demográficos, como acontece há vários anos na Escandinávia. Natalidades muito altas são próprias de países subdesenvolvidos, autênticas fábricas de mão de obra barata e sem qualificação, pronta para ser explorada. Como era Portugal há algumas décadas atrás, realidade que de resto ainda tem reflexos nos dias de hoje.

Voltando às "Barrigas de Amor", o mais abjecto é a falta de honestidade de quem organiza a coisa. O tentar passar algo que não é mais do que pura e dura propaganda política, e da ultra conservadora, como algo giro e inocente, para o Guinness até. Manipulando e usando como bandeiras políticas mulheres naturalmente orgulhosas e satisfeitas com a sua gravidez. Abjecto. E a RTP transmite.

Agora a sério, quando é que o PS aproveita a fama que já tem de controlo da estação pública e, sei lá, tenta controlar efectivamente alguma coisa, ao menos moderar o salazarismo que tresanda da sua programação constantemente?

PS: Valha o segundo canal, o documentário sobre o direito a morrer com dignidade, transmitido ontem, foi excelente. Mas nada que a RTP1 fosse capaz de transmitir em horário nobre, a ideologia é outra, e a liberdade individual não é um valor que lhe interesse promover.

segunda-feira, abril 16, 2007

Micropartidos, então e os outros?

Numa altura em que a imprensa portuguesa decidiu dar amplo destaque a um partido inexistente em número de votos, vamos cá fazer um exercício para tentar perceber quais os critérios que determinam a mediatização ou não dos micropartidos portugueses.

Ora o partido que têm conseguido óptimos destaques na imprensa e tv é o PNR - Partido Nacional Renovador. De um cartaz apenas nasceram dezenas de entrevistas e notícias. Que defende então o PNR? Proibir a entrada de novos imigrantes, expulsar os imigrantes envolvidos em actividades criminosas ou que estejam sem emprego e manter a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A isto se resume o muito que têm dito pela imprensa fora. Ou seja, retirando o ar mitra e delinquente, e imaginando-os com um look mais betinho, eis mais uma versão do CDS. A terceira pelo menos, depois da original e de outro micropartido, o PND - Partido da Nova Democracia.

A única coisa que parece dar um toque de originalidade ao PNR são as suas ligações a gangs criminosos, incluindo gente cadastrada por um homicídio racista. Mas não é esta a faceta que os jornalistas da nação decidiram explorar. Apenas a agenda que o PNR partilha com o CDS, PND, PPM, algumas alas do PSD e ainda a "legião de Maria" (Matilde Sousa Franco & Cª) do PS parece merecer atenção. Caso para deduzir que o que estes jornalistas pretendem de facto é mediatizar a agenda e não o partido.

Senão vejamos. Qual é o partido mais radical e ousado da política portuguesa? Tenderia a apostar no POUS - Partido Operário de Unidade Socialista. O POUS defende coisas como a dissolução das instituições europeias e a nacionalização das grandes empresas. Imaginem por uns segundos as transformações radicais nas nossas vidas que essas medidas implicariam. Proibir os gays de casar (o que já acontece) ou limitar a entrada de imigrantes (têm saído mais do que entram) é nada ao lado disto. Dir-me-ão que são propostas velhas, bla bla bla, mas acaso não o é também o nazismo? Ou o conservadorismo hard-core... Porque não é então Carmelinda Pereira entrevistada pelo Público ou pelo Sol?

E se o critério não fosse radicalidade, mas antes originalidade, era caso para investigar melhor o PDA - Partido Democrático Atlântico. Não sei, creio que ninguém sabe, quase nada sobre este partido, mas cheira que tresanda a separatismo insular. Isso não é interessante? Merecedor de atenção mediática? Ou a agenda não interessa, logo nem pensar dar-lhes 5 minutos de fama? Notar ainda que o partido não se assume como independentista, o que seria inconstitucional, coisa que só deveria aguçar a curiosidade jornalística, há ali que desvendar...

A conclusão é portanto muito simples, Portugal tem a comunicação social mais reaccionária e retrógrada da Europa Ocidental, ou na melhor das hipóteses há uns quanto reaças e muitos imbecis que se limitam se seguir-lhes as pegadas... Seja como for, o jornalismo que se vê por quase todo o lado é, resumidamente, uma boa merda.

sexta-feira, abril 13, 2007

Quem tem pachorra para os mariquinhas do PNR?

O cartaz do Gato Fedorento foi removido por ordens (altamente discutíveis) da Câmara de Lisboa, o do PNR não. Mas mesmo assim essa malta, que nunca deveu muito à inteligência, acha-se no direito de se vitimizar, diz a nova versão do cartaz, "as ideias não se apagam, discutem-se". Não, não é solidariedade com os Gato Fedorento, a quem efectivamente proibiram o cartaz. A esses a esta malta reserva apenas ameaças. E agora lá estão eles feitos cães de guarda a vigiar o cartaz, que é coisa super-importante e a esta malta nunca falta o tempo... (Viverão do rendimento mínimo?). Se um dia destes decidirem usar parte do seu tempo livre para se alfabetizarem poderão descobrir que as suas ideias já foram amplamente discutidas, até se fez uma segunda guerra mundial à custa delas, pelo que não vale a pena chover no molhado.

PS: Estes incidentes com esta tropa servem ao menos para uma coisa, desmascarar essa seita autodenominada de "liberal" que pulula pela blogosfera fora. Não lhes ouviram nunca uma palavra contra as perseguições políticas na Polónia ou na Rep. Dominicana, as abusivas leis anti-pornografia nos EUA ou a proibição de qualquer tipo de associativismo LGBT em vários países africanos. Mas ao mínimo rasgo em propaganda neo-nazi é um "ai deus nos acuda" de solidariedade e choro comum... Haja pachorra.

sexta-feira, abril 06, 2007

Pitbulls à solta, gatos açaimados

«A Câmara Municipal de Lisboa vai mandar retirar o cartaz do grupo humorístico Gato Fedorento que foi colocado "ilegalmente" ontem no Marquês de Pombal, o qual satiriza outro cartaz contra a imigração colocado anteriormente pelo Partido Nacional Renovador (PNR). Segundo um comunicado do gabinete do vereador dos Espaços Públicos, António Proa, citado pela Lusa, o cartaz dos Gato Fedorento, colocado ao lado do do PNR, "não possui licença camarária". Caso a notificação para a retirada do cartaz não seja cumprida, a autarquia vai "proceder à sua remoção coerciva", que terá de ser paga pelo infractor.»
Portanto, o cartaz de legalidade duvidosa de um partido obviamente fora-da-lei pode. O cartaz humorista não, porque faltam umas papeladas quaisquer... Até quando vai durar a cobardia política da CML e das autoridades a quem compete tratar este tipo de organizações cuja ilegalidade está muito para lá de uma falha burocrática? Estão à espera de quê? Que estes criminosos cadastrados reincidam no crime?
«"Para os felicitar creio que terei de fazer um destes dias uma visita à hora de saída do colégio (...), onde um destes burgueses esquerdistas tem os seus filhos a estudar e assim parabenizá-lo pessoalmente pelo brilhante cartaz", escreve no fórum um nacionalista que se assume como "Nuno NS", da Costa da Caparica. O colégio aí citado é frequentado pela filha de Ricardo Araújo Pereira.

Mas as ameaças não se ficam por aqui. "Deviam ser considerados traidores à Pátria e sofrer em conformidade, mesmo usando a violência física (...) Cá por mim não renuncio ao meu direito de ajustar contas com qualquer destes fedelhos", escreve outro nacionalista. Ao que outro elemento da extrema-direita acrescenta: "Plenamente de acordo, a partir de hoje [ ontem] estão sujeitos a qualquer violência".»
O à vontade da corja está a este nível... É o que dá quando se inverte a regra simples e universal de que os gatos se querem soltos e os cães raivosos açaimados.

Estranho país este em que o ar mais puro é o fedor felino.

quinta-feira, abril 05, 2007

4 pêras pensam melhor do que 1

Ampliados aqui (o da esq.) e aqui (o da dir.), a foto é do Público.