sábado, setembro 30, 2006

Quem não tem polvo caça com Lula

Eu também votaria Lula amanhã. Não estando exactamente por dentro da política brasileira, o que vejo à distância é um presidente que não tendo cumprido com as expectativas criadas em sua volta (algumas impossíveis), possibilitou uma melhoria das condições de vida de milhões de brasileiros sem paralelo na história do país. A corrupção não é coisa nova, novo foi o destaque que mereceu por cá, nova é a condenação da igreja ao fenómeno. Não há alternativa e Lula é mesmo o melhor presidente das últimas décadas.

Em relação às políticas LGBT-related, Lula é ainda mais obviamente a única possibilidade. Apesar de não ser capaz de arriscar com o casamento, o seu programa «Cidadania GLBT: Construindo um Brasil sem homofobia» é bastante completo, dado o contexto. E certamente que não seria a anti-escolha Heloísa Helena a fazer melhor.

quinta-feira, setembro 28, 2006

A frontalidade da Newsweek

Estas são as capas da última edição da revista Newsweek. Como já tinha referido o Max, "Losing Afghanistan: The Rise of Jihadistan" foi manchete à volta do mundo, excepto na terra natal da revista. Nos Estados Unidos a capa foi sobre a fotógrafa Annie Leibovitz, antiga companheira de Susan Sontag, cujo nome é referido por 15 vezes na reportagem publicada. No total a reportagem tem 1803 palavras, mas nenhuma delas é "partner", "lover", "gay" ou "lesbian". O heterobranqueamento de Sontag continua em alta. Sobre tudo isto a não perder mais uma hilariante tirada de Jon Stweart, mesmo tendo deixado alguns bloggers aborrecidos pelas não-citações.

Portugal é o quarto país do mundo com mais alta taxa de penetração da internet (!?)

É o que diz esta tabela, que tem desde logo a falha de usar dados de origens diferentes para cada país (logo diferentes métodos de contagem, etc). Mas não encontro alternativas, e é bom ver, para variar, um top onde o país se sai bem.

Brincar ao Parlamento Europeu

Começa já na próxima segunda-feira um jogo virtual que parece ser interessante: "Become a Member of European Parliament" (Torna-te membro do Parlamento Europeu). Poderá ser jogado em três idiomas, polaco, inglês e francês, e promete prémios aliciantes, além da oportunidade de simular o trabalho parlamentar europeu.

terça-feira, setembro 26, 2006

Dia Europeu das Línguas

Um bom pretexto para te lançares na aprendizagem de uma nova língua, ou desenferrujares uma que já conheças. E é que nem precisas levantares-te da cadeira, há imensos sites que de forma gratuita te possibilitam isso mesmo. Alguns exemplos: BBC (vários cursos a vários níveis, sendo o inglês a língua-base), Deutsch Welle (aprender alemão, vários níveis para lusofalantes), Stella (dinamarquês e húngaro em inglês), Speak Dutch, até um curso de esperanto e ainda dezenas de outros listados neste directório.

segunda-feira, setembro 25, 2006

69% dos espanhóis aceitaria unir-se a Portugal

Os números são da votação online do diário gratuito 20 Minutos (via Chuza!), e que nos parece ter uma validade científica semelhante à sondagem do semanário El Sol (que neste momento tem como notícia de topo no seu site a segunda gravidez da princesa Letizia). Seja como for, a nossa própria votação, igualmente de rigor inabalável, mostra claramente uma preferência muito maior dos portugueses pela Noruega. Pelo que perde sentido o sentimento espanhol. Preocupemo-nos mas é com os galegos, que nos querem roubar o peixe!

PS: Pelo que percebo do mapa publicado no diário espanhol, a Curia será a maior metrópole lusa, não?

PPS: Para os adeptos do SM, e não só, a não perder logo à noite o "Prós e Contras", onde poderemos ver um sequioso e gratuito Aznar. Com um bocadinho de sorte ainda nos pede desculpas por estarmos a ocupar o Ocidente espanhol há mais de 8 séculos.

PPPS: Absolutamente deliciosos e imperdíveis os comentários no 20 Minutos. Exemplo: «Si los catalanes se los regalamos a Francia y los vacos a Inglaterra, que apañados van, y nos unimos a Portugal de alguna manera, seguro que ganamos en paz, tranquilidad, dinero y calidad de vida. Portugal es un hermoso país, en donde somos queridos y la unión nos veneficiará a ambos.» ou «Siempre y cuando no tenga que aprender portugues me da igual.» e ainda «Soy espanhol y vivo en Portugal y pienso que nunca en la vida nos llevariamos bien. Son tan diferentes en todo que asusta. Ellos saldrian ganando pero nosotros no. VIVA ESPAÑA LIBRE».

Esqueçam a Madonna


Paris é uma festa.

domingo, setembro 24, 2006

Verdes de bolor

O suplemento de domingo do DN e JN é praticamente intragável, mas volta e meia lá aparece algo interessante, e só por isso o folheio. Ainda hoje valeu a pena ler a entrevista à bióloga Margarida Silva, sobre plantas transgénicas. Em geral a solução para não ficar logo pela manhã com vontade de cortar os pulsos é passar à frente as crónicas de Isabel Stilwell e Eduardo Sá. E para não ter vontade de cortar os pulsos de outrem evitar igualmente as crónicas de Zé de Bragança e Manuel Ribeiro. Tomados estes cuidados fui apanhado em falso por esta bonita prosa de Tomás de Montemor, que semanalmente assina as "páginas verdes".
«SE É HOMEM E A SUA MAIOR AMBIÇÃO na vida é ficar grávido (o assunto está tão bem entregue em mãos femininas, mas enfim), aconselho-o a ir a banhos no rio Potomac em Vashinton (como dizia o Raul Solnado), nos EUA.

A RÉPLICA DOS RESULTADOS em humanos não está garantida, mas a recente descoberta de vários peixes neste rio que mostram sinais de não estarem bem certos do sexo a que pertencem - os cientistas, diplomaticamente, chamam-lhes peixes intersexo - faz pensar que qualquer coisa semelhante possa acontecer aos humanos. Aparentemente estes peixes têm o sistema hormonal descontrolado e por isso aparecem cada vez mais exemplares com ovos nos testículos. Deve ser um pouco incomodativo ter um bebé nos testículos, mas se ainda está a pensar nisso... força.

A RAZÃO PARA O ESTRANHO AUMENTO de peixes gay, ou seja machos efeminados, parece estar relacionado com os altos níveis de poluição das águas do rio. Foram detectados certos compostos, usados na indústria farmacêutica, cosmética e outras, que são conhecidos desreguladores endócrinos, com o poder de pôr os organismos animais a trabalhar às avessas. Por exemplo, já foram acusados de tornar mais pequenos os pénis dos ursos-polares e de provocar hermafroditismo (possuir órgãos genitais dos dois sexos) em baleias.

COMO DISSE, NÃO SEI SE OS AMERICANOS que beberem de mais desta água vão começar a levar capacetes cor-de-rosa e Chanel n.º5 para combater talibãs, mas o certo é que o destino que queremos dar aos resíduos químicos das nossas indústrias tem de ser decidido depressa, sob o risco de começarem a afectar severa e irreversivelmente a nossa vida. (...)»
A coisa prossegue referindo tragédias humanas reais, causadas pelo envenenamento de águas pelas indústrias na Índia e Costa do Marfim. Os itálicos e maiúsculas da citação estão conforme o original, só o verdito foi acrescentado por mim. E acho que nem vale a pena dizer mais nada.

Here we go again

«O tema do aborto surge por acaso. "Sou a favor. E nem sequer estou a falar da despenalização. Sou mesmo a favor do aborto. Acho que uma mulher normal não o faz de ânimo leve." E sublinha a falsidade da questão. "Uma mulher com possibilidades económicas faz um aborto numa clínica ou vai a Espanha. Os pobres são os mais prejudicados, ponto final. É tudo uma hipocrisia. Esta discussão do aborto enerva-me", desabafa.»
Quem o diz é Ana Vital Melo, antiga assessora de Marcelo, Leonor Beleza e Marques Mendes, no suplemento de sábado do DN e JN. A realidade é tão simples quanto isto, até uma laranjinha a vê. Mas ao que parece em janeiro lá teremos que gramar mais um referendo. O debate já cansa, e nada tem resolvido. Esperemos que seja desta. Entretanto os defensores da lei que manda as mulheres para a cadeia parecem estar a preparar a curiosidade estratégia de defenderem essa mesma lei, mas não a sua aplicação. Estamos conversados em relação ao limite de hipocrisia a que esta malta chega. Não há limite.

É favor avisar o presidente da Comissão


Que o Vaticano não faz parte da União Europeia. E enquanto esta não estiver aberta a ditaduras fundamentalistas religiosas, assim continuará. By the way, a memória do Fujão é curtíssima, já se sabia, por isso relembro que o dito Bentinho foi dos primeiros a colocar-se ao lado dos trogloditas censores aquando da estória dos cartoons. Pelo que.. convenhamos, seria bastante imerecido dar agora palmadinhas nas costas do Bento, não?

sábado, setembro 23, 2006

Dia português com carros

Terminou ontem a Semana Europeia da Mobilidade, e foi ontem também o Dia Europeu Sem Carros. E em Portugal mal se deu por eles. Apesar do grande número de cidades envolvidas, Porto e Lisboa optaram por continuar porquinhas e congestionadas como nos restantes dias do ano, e a comunicação social não está, nem é costume estar, para se preocupar grandemente com o resto do país.

Ao contrário do que muitos gostam de dizer (sem oferecer qualquer alternativa), este não é um "dia inútil" e sem consequência. Tudo depende, é claro, do empenho das autarquias em fazer com que a ideia resulte e sirva de inspiração para os restantes dias e semanas do calendário. A ideia tem dado óptimos frutos em vários pontos do continente europeu. Mas somos livres de continuar a chafurdar na imundice e caos das duas maiores cidades portuguesas, enquanto não apodrecem de vez pelo menos. Como diria o outro, uma autêntica "festa do politicamente incorrecto".

Mas quem não está virado para disparates políticos ou problemas respiratórios, e acha que estas coisas da política deviam servir exactamente para aumentar o bem-estar das populações e proporcionar um desenvolvimento sustentado, encontrará uma boa leitura no manual «Cidades para Bicicletas, Cidades de Futuro». Este é um documento da Comissão Europeia, já do ano 2000, mas cada vez mais actual e um óptimo objecto de propaganda por políticas mais correctas e saudáveis para a mobilidade citadina. A ler e divulgar.

Campeonato da Europa 2012 na Polónia?

«10 jogadores brasileiros do Pogon Szczecin (...) foram vítimas de insultos racistas por parte de vários adeptos do Lechia Gdansk, em encontro da Taça da Polónia. Além dos cânticos, insultos e imitações de macacos, os simpatizantes do Lechia foram ao ponto de arremessar bananas para o relvado.»
Bora lá explicar à UEFA que nas circunstâncias actuais uma candidatura polaca não pode ser levada a sério, pelo contrário, devia ser já excluída da votação final. Os restantes candidatos à organização do evento são a Croácia-Hungria e a Itália.

PS: Entretanto as diferentes extrema-direitas que governam a Polónia entraram agora em colisão. Pois que rebentem.

sexta-feira, setembro 22, 2006

El 28% de portugueses aceptaría unirse a España

Lê hoje no Terra.es as questões relevantes que só amanhã poderias ler no El Sol.

Entretanto, quantos seremos os que desejam que Portugal se una à Noruega permanece uma incógnita. Para quando um semanário La Nieve que nos esclareça? Valha o renas!


PS (às 19h43): Como nada me obriga à isenção face a esta votação, e como não estou a curtir o evoluir da mesma, faço o apelo: vota Noruega! Babes, uma combinação explosiva de petróleo e bacalhau, qual é a dúvida afinal? E vejam que bandeirinha bonita podíamos ter:

Kiss my ass

Nem é isso que mais me tem incomodado. A ultrassexualização da tradução é que me parece mais grave. Por exemplo, "I'll kiss her ass" seria sempre traduzido em qualquer outra série por "vou dar-lhe graxa". Mas no "The L Word" rapidamente passou a um explícito "vou lamber-lhe o cu", é que nem era beijar, era lamber mesmo. Mas antes assim, que nada.

"Answered By Fire" às 22h55 na RTP1

Timor Leste merecia uma série assim. A primeira parte passou ontem, a segunda (e última) passa hoje.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Novas da Índia e Moçambique

E das boas. Na Índia mais de 100 personalidades do país, incluindo Arundhati Roy ou o prémio Nobel da economia Amartya Sen, assinaram uma carta aberta contra a criminalização da homossexualidade. Tal como em vários países africanos e caribenhos, esta criminalização é um resquício dos tempos coloniais, mas que em vez de ser repelido até por isso, foi sendo apropriado por grupos conservadores e nacionalistas que não hesitam em classificar a homossexualidade como "anti-indiana", "anti-africana", "anti-jamaicana", etc. Esta carta é portanto um documento histórico, que certamente terá um efeito positivo no país que pretende organizar os 2ºs Jogos da Lusofonia.

Também em Moçambique, onde (à semelhança dos restantes PALOP, excepto São Tomé e Príncipe) a homossexualidade ainda está ilegalizada, igualmente por herança colonial, o tema tem sido pela primeira vez debatido publicamente e de forma positiva. O que, claro, não impede que o trogloditismo analfabeto (mesmo que com o sobrenome "Craveirinha") saia à rua. O hilariante deste exemplo é que a bibliografia recomendada (utilizada não foi certamente) é do mais gay friendly que há, e contradiz tudo o que é escrito no artigo.

Os homofóbicos podem ser tão giros


Chorei a rir com o senhor Paul Drummond Cameron, muito mais divertido que o soldadinho Bleu Copas, há que reconhecer. O problema é que a vida não é feita de piadas...

terça-feira, setembro 19, 2006

Politicamente Estúpido

O "Loose Change" não me pareceu de imediato um objecto para levar a sério, isso só aconteceu quando me pus a ler "o" blog que se propõe "desmontar as mentiras do documentário" - assustadoramente pobre e inconsistente tentativa de resposta. Mas o filme, que mais não é que uma série de suposições e teorias imaginativas, é efectivamente de contraditório difícil, já que o acesso às provas relativas ao 11 de Setembro nunca foi livre e imediato, bem pelo contrário. Acreditar na versão oficial dos acontecimentos implica necessariamente dar uma quantidade nada pequena de crédito à administração Bush. É aqui que está o grande busílis.

«"Ponham lá aí um cartaz a dizer que eu sou muito estúpido", é o que os que levam a sério o "Loose Change", a começar pelos programadores da RTP que entraram agora num nível provocatório, estão a dizer.» Quem o diz é Pacheco Pereira, que mais acrescenta, «Podia até fazer-se uma versão politicamente correcta: “eu ainda sou mais estúpido do que o Presidente Bush”.».

Eu fico mesmo preocupado quando leio este tipo de coisas. Desde logo porque o insulto é o derradeiro, ou melhor, o não-argumento usado quando a derrota no debate está à vista de todos. E depois porque a parca tentativa de resposta ao filme indicia que Pacheco nem o terá visto - mas que seja isso, ao menos.

Acrescentemos a isto o fanatismo pró-Bush, que faz com que todos os que não comunguem da mesma fé sejam irremediavelmente classificados como anti-americanos, e temos o caldo entornado. Já para não falar no uso até à náusea da expressão "politicamente correcto", ainda não reparou que tanto a usaram, gastaram e abusaram que hoje em dia isso não quer dizer absolutamente nada?

Eu só voltarei a levar Pacheco Pereira a sério no dia em que ele próprio use um badge que diga, "Estúpido sou eu, que acreditei nas armas de destruição maciça".

segunda-feira, setembro 18, 2006

E o que tem a dizer a administração dos Armazéns do Chiado?

As agressões ao Tiago e amigo ocorreram mesmo às portas destes armazéns, local para onde se dirigiram os agressores depois do crime. Parece-me que há uma série de questões a colocar à administração. A julgar pela ilustração do seu site, estão bem cientes da importância do pink money no seu negócio. É bom que se preocupem também com a segurança e integridade física da pink people. Podem pedir-se esclarecimentos sobre tudo isto directamente no site ou por e-mail.

Violência homofóbica no Chiado

A passividade dos seguranças privados, a indiferença e cobardia de quem vê e passa sem nada fazer, o trogloditismo e à vontade dos meninos da cabeça rapada. Tudo contado por quem a sofreu na pele. Em pleno Chiado, em plena Lisboa, em pleno século XXI. Não senhor dos Santos, não há uma forte cultura homofóbica aqui na Polónia Ocidental, perdão, Portugal.