sexta-feira, novembro 10, 2006

Together?



Este é o logotipo escolhido para celebrar os 50 anos da assinatura do Tratado de Roma, da autoria do polaco Szymon Skrzypczak. Várias críticas têm sido feitas ao design do dito, mas o que mais choca é o uso exclusivo do inglês. A Comissão prometeu desde logo a sua tradução para os restantes idiomas oficiais das União, mas o resultado nunca poderá ser famoso, basta pensar nas diferenças do número de letras, sem ir sequer à parte da acentuação não ser mera decoração na maioria das línguas. Mas este caso está longe de ser o primeiro. Neste blog do Libération é possível ver vários outros casos de propaganda europeia exclusivamente em inglês, e em plena Bruxelas. E navegando pelos vários sites da UE, começando pelo do concurso do logo (até no URL), se percebe que o inglês domina as instituições europeias. O caso do logotipo dos 50 anos torna-se mais grave pelo seu simbolismo, e pela difusão que terá por toda a União. É de prever que a seguir às queixas da ministra francesa dos assuntos europeus muitas outras se sigam. Ou será que só os franceses ainda resistem a um futuro anglófono para a UE? Or should I say EU?

5 comentários:

Morgan disse...

Detectarei eu aqui uns laivos de conservadorismo do género "Este tipo de evolução natural não serve"? Ou estamos só a falar do (feiito) logo?...

Enfim, esqueçamos os milhares (milhões?) de euros gastos em traduções semanalmente porque os países não se decidem na adopção de uma língua universal. Deixemo-nos de anti-anglicanismos...

Mas hey, se for só um manifesto anti-logo eu assino por baixo. Tanto bom designer no desemprego...

boss disse...

Milhões certamente, muitos milhões. Mas serão gastos ou investidos? As pessoas não estarão já suficientemente alheadas do projecto europeu? O inglês é falado com fluidez por uma minoria do continente...

O logo parece-me péssimo a vários níveis, incluindo o linguístico.

Em relação ao futuro anglófono da UE ele parece-me algo inevitável, mas não necessariamente positivo. Não tenho nenhuma posição vincada neste assunto. Mas as coisas decididas pela via da inevitabilidade aborrecem-me sempre... Aliás, foi assim que se quis defender a constituição, e onde vai ela..

Morgan disse...

A constituição não era inevitável, se o fosse estava hoje em vigor. Uma coisa é -querer- pôr essa etiqueta, outra é sê-lo realmente. Além de que será mesmo pelas traduções que as pessoas se vão identificar mais com o "projecto europeu"? Ou pelo seu conteúdo real, como transmitido pelos opinion makers de cada um dos países?

PS: Correio electrónico ou e-mail?

boss disse...

Nem é só uma questão de identificação. É a diferença entre haver uma possibilidade de participação ou não.

Quanto ao resto, nunca digas nunca, tudo é inevitável até o deixar de ser, "and so on".. Aliás, a Europa Ocidental tem sido pródiga em mostrar que idiomas condenados ao desaparecimento se revigoram e tornam-se pujantes. Veja-se o catalão! Nem sequer é idioma oficial da União, e por isso mesmo não surge em sites oficiais. Mas farto-me de ver versões catalãs se sites pan-europeus (petições e não só, um bom exemplo: http://cafebabel.com/ca/default.asp).

Heliocoptero disse...

O lema da União Europeia é e continuará a ser «Unidade na Diversidade». Fazer de uma única língua o idioma oficial de toda a União é um passo para a unidade na uniformidade.

Se queremos ver o resultado da ascensão de uma língua sobre os direitos de todas as outras, então olhemos para a vizinha Espanha e o que se passa como basco, catalão, leonês e galego-português.

Já agora, o futuro daqui a umas décadas não vai ser exclusivamente em inglês, mas também em mandarim: não vão propor a sua oficialização na União Europeia em nome de um dominio "inevitável", pois não?