sexta-feira, abril 13, 2007

O cromo da noite

Ao contrário de muito boa gente, não creio que esta estória da licenciatura de Sócrates lhe tenha causado grande mossa. No fundo o que ela mostrou foi apenas o quão mal visto é o ensino privado em Portugal. Porque em todo este tempo, e isso Sócrates mostrou-o bem, os jornais (i.e. o Público), a reboque de uma certa blogosfera, conseguíram apenas coleccionar uma série de insignificâncias burocráticas... Chegou-se ao cúmulo de "noticiar" as alterações na biografia de Sócrates na Wikipédia! O que sustentou todo o caso é a ideia comum de que o ensino nas universidades privadas é, regra geral, facilitado, se não mesmo comprado. Nenhum jornal disse isto, nenhuma prova surgiu, mas foi sempre o que se quis deixar no ar. E bye bye presunção de inocência.

Que Marques Mendes surja depois da entrevista de Sócrates a acusa-lo de "falha de carácter" é apenas execrável, e diz muito mais do acusador do que do acusado. Se Mendes sabe de "algo mais" era seu dever dizê-lo sem meias tintas, e afinal estava em posição privilegiada para ter informações extra - foi professor na Independente quando Sócrates era aluno - mas não disse, logo ou não sabe ou é cúmplice. E se Mendes está numa de zelos, era bom que começasse por explicar porque é que tendo sido professor na dita universidade tal não é referido na sua biografia oficial, onde podemos saber p. ex. que é sócio honorário da Cruz Vermelha.

Quanto ao resto repito, não me parece que o caso tenha feito grande mossa, e pessoalmente até serviu para aumentar a minha simpatia pelo PM, que assim se "humanizou" aos meus olhos...

PS: Ainda sobre a entrevista ao PM, mas outro ponto, vale mesmo a pena ler este post.

2 comentários:

Miguel disse...

Quando andava na Universidade (faculdade) muitas vezes pensei que estudava numa fábrica de fazer dinheiro e não numa instituição de ensino.

boss disse...

a minha era pública e sentia o mesmo, com a agravante de fazerem para logo desbaratar dinheiro em todo o tipo de palermices...