sábado, maio 19, 2007

Peanuts intelectuais

Seria salutar que algumas pessoas tivessem a honestidade intelectual de defenderem a mesma lógica argumentativa na hora de debater se os negros devem ou não poder dar sangue. Teriam até um argumento extra, a cor da pele não dá para esconder, pelo que a discriminação, a aplicar, seria muito mais eficaz que com os gays e sua mobília.

Se bem me lembro segundo o panfleto referido no post anterior estava proibido também de dar sangue quem fez viagens recentes a África. Voilá, focaram-se na prática e não no grupo. E esta hein? Note-se que viajar até África não é obviamente uma prática de risco no que diz respeito ao HIV, mas sim em relação a outras doenças, como a malária.

PS: Já agora, mantenham a lógica se quiserem, mas alterem-me esses números. Só 1 a 3% dos gajos fodem com outros gajos? Onde? No Pólo Norte? Em Portugal não é certamente, ou os comportamentos de risco homossexuais seriam até uma impossibilidade estatística... LOL

5 comentários:

jcd disse...

"PS: Já agora, mantenham a lógica se quiserem, mas alterem-me esses números. Só 1 a 3% dos gajos fodem com outros gajos? Onde? No Pólo Norte? Em Portugal não é certamente, ou os comportamentos de risco homossexuais seriam até uma impossibilidade estatística... LOL"

Realmente, que raio de números. As pessoas olham para o que as rodeia e vêem sempre coisas diferentes. Faz-me lembrar os 6milhões de benfiquistas. Como se 60% dos portugueses fossem benfiquistas. LOL! Ainda no outro dia, estava com um enorme grupo ao lado a ver um espectáculo e nem sequer encontrei um benfiquista. Um único, entre centenas de pessoas. 60%, dizem eles. RACC! LOL! TOTFL! Estava justamente a contar quantos éramos quando o Sporting marcou um golo e esqueci-me da contagem.

boss disse...

jcd, seja um bocadinho menos infantil e vá ver os números do link que você mesmo usou. Vários estudos, cada qual com sua sentença, aliás, só não vi nenhum que indicasse 1 a 3%. A única sondagem do género que conheço feita em Portugal indica precisamente um valor na ordem dos 10% para homo e bissexuais...

E respondeu unicamente à parte acessória do post... mais peanuts portanto..

jcd disse...

1,5% a 2% é metade do que indicava o estudo porque as contas têm que ser feitas em função do total da população e da população masculina.

Alarguei para 1% a 3%, para dar mais margem ao erro e fiz as contas no limite máximo de 3%, o que é o mesmo que admitir que 6% dos homens envolvem-se em práticas homossexuais.

"Their results agree in suggesting that a more accurate figure is about 3 or 4 percent of men and 1 or 2 percent of women (Laumann & others, 1994; National Center for Health Statistics, 1991; Smith, 1998). Estimates derived from the sex of unmarried partners reported in the 2000 U.S. Census suggest that 2.5 percent of the population is gay or lesbian

Quanto ao resto nem vale a pena responder. Apenas que não entendeu a lógica da identificação de grupos. A resolução de um cluster com base na população negra é incomparavelmente inferior à da homossexualidade e à da toxicodependência.

Agora admita que num determinado país, o nível de infecção numa qualquer comunidade étnica minoritária (negra, branca, amarela, sportinguistas ou esquimós) é 60 vezes superior à média. Nessa situação, não tenho a menor dúvida que essa comunidade deveria ser afastada do processo de doação.

O cluster ideal seria, obviamente, a identificação positiva de todos os dadores. Se e quando os testes forem fiáveis e economicamente viáveis, é o que se deve fazer.

boss disse...

Tem as estatísticas jcd? Felizmente que em Portugal nem se fazem esses estudos estatísticos raciais, já se percebeu que a questão não está na raça mas no comportamento sexual de cada um. Mas recordo p.ex. que Portugal é o país europeu com a mais alta taxa de infecção pelo HIV-2 (que mundialmente se restringe praticamente à África Ocidental), e que aliás foi descoberto em Lisboa num paciente guineense.

Mas não é minha intenção reforçar aqui nenhum preconceito mais. Apenas mostrar onde nos pode levar esse tipo de raciocínio.. pelos vistos para si não é problemático como afinal acabou por responder.

Para mim, e para este caso muito específico da doação de sangue, também não é especialmente grave para as pessoas discriminadas. É a sociedade no seu todo que perde, e algumas pessoas que só por serem heteros, se julgam por isso mais seguras, quando a segurança depende apenas das práticas e comportamentos adoptados...

boss disse...

PS: Não há estudos raciais, mas há estudos sobre as taxas de infecção em determinados países, muitíssimo superiores à de Portugal, pelo que o IPS devia proibir a dádiva de sangue aos imigrantes do Botswana (30% de prevalência na população adulta) ou da África do Sul (20%), certo?