sábado, junho 23, 2007

O sabotador

O que eu gostava que certas pessoas (afinal só uma, mas que passa por ser toda uma "associação") dedicassem 1\10 do tempo que usam a atacar o movimento LGBT a, sei lá, fazer algo de útil e construtivo em torno desse mesmo movimento, já que afinal garantem dele fazer parte. Um só décimo já seria muito, tal o empenho em constantemente atacar e difamar tudo o que de bom é feito. A imprensa, claro, ama e dá-lhe todo o tempo de antena que nega a quem efectivamente faz um trabalho sério, continuado e representa associações reais, i.e., daquelas que contam centenas de sócios, e não apenas o bobo da corte e seus compinchas. Veja-se um conhecido suplemento editado hoje. Entre meias verdades e mentiras grossas, eis o ataque homofóbico em pele de cordeirinho gay, o mais eficaz, em todo o seu esplendor. Não há vergonha e sobra mesquinhez. Triste, mas é mesmo assim, que fazer? Apetece-me citar Cavaco Silva, mas vou-me poupar essa descida.

8 comentários:

Musicologo disse...

Acho k atingi a kem te referes mas não consigo ver nada nos suplementos de hj, nao keres dar uma pista de k jornal é?...

Anabela Rocha disse...

Boss, nem parece teu. Uma pessoa que tem uma estratégia diferente, ou um timming estratégico diferente, para a agenda lgbt, não é um homófobo, é uma pessoa que tem uma visão diferente.
Por outro lado, essa pessoa é uma das pessoas a quem deves muita da tua liberdade sexual hoje, não sei se sabes. No dia em que deres a cara metade das vezes que ele já deu e te apontarem dez vezes mais discordâncias daquelas que lhe apontam a ele, falamos.
Finalmente, não li ainda a entrevista mas sei que uma delas lança um tema fundamental agora que nos aproximamos da comemoração do Centenário da República, e que deve ser um mote de reflexão e convergência do movimento, assim como um mote da nossa integração na esquerda e na sociedade: a laicidade. Mais uma vez, a visão política do António vai marcar o movimento.
Fica bem, não te aborreças tanto.
beijinhos
anabela

boss disse...

musicólogo, é uma entrevista venenosa, mas pequenina, está no suplemento que sai em dois diários diferentes ;)

Anabela, há um famoso activista anti-nuclear que durante anos e anos liderou campanhas e organizações contra a expansão da energia atómica. Um trabalho imenso. Um dia, porém, deu uma entrevista em que anunciava ter mudado de ideias, e achava agora prioritário apostar no nuclear. Assim, num só momento, conseguiu transformar décadas de luta anti-nuclear num poderoso trunfo pró-nuclear.

Eu não sei se a pessoa que refiro sem nomear no post tem todo esse passado exemplar de activismo construtivo, eu sou recente nestas andanças, e não tenho qualquer pretensão de ser exemplo ou substituir quem seja... Mas enfim, tenho ouvidos e olhos e vou lendo e somando casos e casinhos de pura intriga bota-abaixista, para dizer o menos. E o que é certo é que não tiveste qualquer hesitação em identificar a pessoa visada.

Eu bem tento não me aborrecer, mas ver constantemente preciosos momentos de atenção mediática a serem desperdiçados em insultos a difamações, confesso que me aborrece bastante... Há coisas tão absolutamente mais importantes para partilhar com a opinião pública do que (reais ou imaginadas) intrigas inter-associativas... não te parece? Independentemente da justeza das ditas, não é sequer isso que está em causa.

beijinhos

Siona disse...

"Mais uma vez, a visão política do António vai marcar o movimento."

Anabela, espero que não, gostava de conseguir mudar o nome em menos de uma década, e não queria ter de ir ao aviário mais próximo comprar um kilo de penas!!

(prontosss, fui má, mas confesso que e tal inominado merece :P)

Anabela Rocha disse...

Boss: a única coisa que lamento contigo são os desentendimentos inter-associativos; mas para esses também há razões históricas (do próprio movimento)que não estão totalmente esclarecidas. Quando o estiverem perceberás que os ataques do António se dirigem à tentativa de unificar artificialmente o movimento, em vez de o fazer pela via do diálogo - esse unitarismo é muito mau método de trabalho e desconfia do nosso principal valor, a diversidade. Daí ser tão radical combatê-lo

boss disse...

Anabela, qualquer crítica é legítima se feita nos limites da decência e da verdade. Eu também não gosto de unanimismos. Eu também já por diversas vezes critiquei estratégias e acções específicas de certas associações.

Mas a tal diversidade do movimento, consegue-se marcando a diferença, fazendo algo novo, acrescentando em suma. Quando se diz que "as outras associações são meros braços partidários" está-se a difamar centenas de pessoas, a menorizar o trabalho de muita gente à custa de uma falsa generalização, que ainda por cima vai ao encontro de estereótipos promovidos pelos cronistas homofóbicos da imprensa..

Sinceramente não me podia estar mais a borrifar para as "razões históricas" dessa pessoa. Incompatibilidades pessoais, diferendos velhos, toda a gente tem com muita gente. Mas se não se não se consegue ultrapassar isso, e apenas se remói no mesmo over and over, sem fazer a actualização necessária (é que o movimento tem crescido muito apesar de tudo), enfim, cai-se de podre. E cai-se isolado.

Anabela Rocha disse...

Há um aspecto em que tenho de concordar contigo e foi parte da razão que me fez sair da Direcção da Opus: por um lado, as ocasiões em que estas críticas são feitas; por outro lado, o facto de existirem formas mais construtivas, nomeadamente com actividades ou acções alternativas, de criticar essas dificuldades de diálogo.


Outra coisa é dizer que não existem intencionais dificuldades ao diálogo (que não são meramente pessoais)- que atitudes de ambos os lados continuam a alimentar. E que prejudicam mais a Opus, por ser muito minoritária, do que todas as outras organizações (e, nesse sentido, também concordo contigo quando dizes que é um tiro no pé).

A importância de perceber as razões históricas prende-se com o facto de tentar impedir que volte a acontecer, e não tanto com a sobrevivência (no movimento)desta ou daquela pessoa ou associação.

boss disse...

Anabela, já quase totalmente de acordo. Mas eu nem vejo como essencial o diálogo interassociativo, cada associação pode desenvolver as suas estratégias e acções independentemente das outras, sobretudo se têm uma visão diferente e difícil de compatibilizar. Ninguém deve satisfações a ninguém, já somos todos maiores e vacinados, cada um responsabiliza-se pelo que faz. O problema é quando a estratégia parece resumir-se ao ataque a tudo o que outros façam, esse é o problema. Ainda maior se usando argumentos falsos.

Isto que digo naturalmente não quer dizer que não aplauda a união de forças e esforços. Aplaudo sim, é óptimo que aconteça. Mas não têm que acontecer, e sobretudo não deve acontecer de forma forçada, só porque é suposto. A liberdade de associação é isso mesmo, só se associa quem quer e com quem queira também.