sábado, junho 09, 2007

A lenga-lenga anti-regionalista

«Acredito na descentralização, mas não acredito na regionalização. O nosso país, no seu todo, tem a dimensão correspondente a uma região média europeia. O caso dos Açores e da Madeira é muito especial, pela geografia e pela história. Não podemos correr o risco de perder uma coesão nacional que se diluiria se houvesse regionalização.»
Vasco Graça Moura ao JN de hoje. A lenga-lenga dos anti-regionalistas continua a mesma passados 10 anos, assente apenas em mitos pacóvios e mentiras grossas.

Acreditam na descentralização, mas não se lhes conhece uma única medida nesse sentido.

Distorcem o mapa da Europa e dizem coisas tão incríveis de tão falsas como "o nosso país, no seu todo, tem a dimensão correspondente a uma região média europeia" (!?!?). É que o nosso país, no seu todo, é superior ao país médio da UE. Eu sei que é muito mais fixe passarmos a vida a dizer que "o país é pequenino, coitadinhos de nós", mas na verdade o país é mediano, grandito até, para os padrões europeus... A diferença é que a maioria dos países, mesmo sendo mais pequenos que o nosso, estão regionalizados.

Last but not least, a "coesão nacional". Será "coesão nacional" a diferença brutal do PIB per capita do Norte em relação ao do Vale do Tejo? Dane-se a coesão nacional se assim for. Os Açores e a Madeira estão mais "coesos" agora ou antes de estarem regionalizados? É fácil lembrar Jardim, e pelos vistos também já ninguém se lembra dos movimentos bombistas que defendiam a independência dos arquipélagos antes da regionalização. E também é fácil esquecer o crescimento brutal da emigração portuguesa para Espanha, sobretudo partindo do Norte e interior do país, não será isso atentatório à "coesão nacional"? O nosso modelo de desenvolvimento deve então continuar a inspirar-se no modelo grego? Pode-se "retalhar" o país em freguesias, concelhos, distritos, mas jamais em regiões porque a seguir ia querer ser tudo um país independente? Será? E porque seria?

7 comentários:

Prosciutto Mourente disse...

Sim, boa escolha para o tag: demagogia pura e dura. Acho que o facto de territorios como Algarve ou a Regiom Norte possuírem uma identidade sociocultural evidente e umas dinámicas económicas próprias nom tem por quê atentar contra a coesom de Portugal como estado ou "naçom". Se na Espanha, na Bélgica ou no Canadá, apesar de todo, ainda nom se independizou nengum território... duvido muito que isso chegue a acontecer em Portugal.

Vítor Pimenta disse...

Na mouche Boss!

Fer disse...

Tedes que adaptar o berro de guera dos centralistas espanhois, aquele: "Ejjjjpaña se roooompe!!", que pola Galiza escuitamos cada dia...

Heliocoptero disse...

A Dinamarca é mais pequena que Portugal e está regionalizada, a Eslovénia é mais pequena ainda e vai abrir um processo de regionalização e ambos estes países são modelos clássicos de Estados-Nações tal como Portugal.

Definitivamente, em os portugueses têm mesmo muita dificuldade em olhar para lá do seu próprio umbigo...

joao disse...

Como Lisboeta (de gema) só voto sim a uma regionalização, com a qual concordo, se não criar mais cargos politicos do que aqueles que extingue. Se servir apenas para aumentar os Jobs for the boys, não obrigado
jpt

Antonio Almeida Felizes disse...

Caro Boss

Dada a temática abordada, tomei a liberdade de publicar este seu "post", com o respectivo link, no

Regionalização

Cumprimentos

boss disse...

à vontade António, obrigado pela atenção ;)