quinta-feira, março 29, 2007

Casos de polícia (com o patrocínio RTP)

Alguém duvida que este "momento" que a extrema-direita está a conseguir criar nos média é fruto dos "Gandas Tugas" da RTP? Quando é que a RTP se retracta? E sobretudo, quando é que esta coisa é tratada por quem de direito (e dever)? Ou seja, polícias e tribunais?

PS: A RTP não só não se retracta, como hoje (Jornal da Tarde) deu amplo destaque e tempo de antena aos neo-nazis. Seguindo a mesma lógica, doravante na televisão pública as notícias sobre assaltos deverão conter entrevistas aos assaltantes, mas não aos assaltados... Faz-se zapping para a TVI e surpresa, afinal ainda nem toda a informação televisiva nacional é feita em formato bovino, notícia dada sem histerismo e sem premiar os criminosos, como deve ser. Parabéns à TVI.

12 comentários:

João Zun disse...

Quando passei hoje no Marquês e vi esta asquerosa publicidade, senti-me realmente preocupado, especialmente tendo em conta os acontecimentos noticiados nos últimos tempos. Imagino o que sentirão os imigrantes que se deparam com aquele triste espectáculo.

Luis disse...

É Triste e chocante a publicidade do PNR. Mas também é a exemplo da democracia madura que somos, madura nos prioncipios claro, porque nas atitudes é o que se vê. Hoje mais do que nunca salta
à vista de todos a falta de inteligência civica dos portugueses. E não se pense que é so uma questão de qualidade da educação´. è um problema mais profundo e mais grave, o calcanhar de aquiles da nossa democracia. E depois essa ideia obstruza de que é no passado que está a solução. A solução está diante dos nossos olhos, nos melhores exemplos de progresso e tolerancia europeus... Talvez este resurgimento da exterma direita permita que se discuta publicamente o que vai mal no país. Inteligencia é necessária, mais debate, mesmo com aqueles que não partilham o modelo de sociedade tolerante e democrática. Salazar sim, que se fale nele e no que foi, na profunda desigualdade que criou, no país obstruso que ainda somos. Não mos podemos calar e sobretudo não podemos cair na tentação de nos julgarmos melhores do que os outros, ou que os outros só por terem opinioes diferentes das nossas devem ser ostracizados.´Mais do que nunca é preciso amar a liberdade e lutar por uma sociedade mais justa e equitativa. Portugal está muito longe de ser um país moderno e equitativo. Um país mais justo para todos.

Pedro Fontela disse...

Luis,

entre madura e podre vai alguma distância.

Luis disse...

Pedro

Temos o dever de contribuir para que o nosso seja um Pais mais justo do que é. Há muita podridão, muita corrupção, muito oportunismo, muita arrogância, muita falta de consideraçaõ pelos direitos dos cidadãos. Mesmo assim não podemos desistir. Porque desistir de um Pais mais justo é desistir do que há de melhor em nós; é pactuar com a injustiça e com a podridão, para usar a tua expressão.

Prosciutto Mourente disse...

Nom sabia da existência do PNR... mas tampouco me estranha tendo em conta os ventos ultras que sopram cada vez com mais força na Europa toda :(

Pedro Fontela disse...

Luis,

Não está em causa desistir! (conformismo é coisa que não faz cá falta) Era apenas um diagnóstico da situação actual.

Luis disse...

Pedro
OK! Mas como mudar a situação actual? ´Não quero politizar. nem abusar da paciencia dos bloggers. Mas, o problema é mais profundo e grave e não se resume às politicas públicas. Dou-te apenas um exemplo: em Portugal não existe a noção de sermos um pais multiracial e multicultural. Nenhum governo se lembrou de aplicar neste país as politicas de discriminação positiva que tony Blair aplicou na inglaterra em relação as chamadas minorias etnicas. Os cidadãos portugueses de raça negra não tem visibilidade pública, neste país. Não há deputados, nem altos funcionários publicos, nem comissários, nem administradores publicos negros. Em termos de aspiração social e representatividade na sociedade portuguesa, os cidadaos negros é como se não existissem no nosso Pais. Atrás desta injustiça vem outras injustiças: a homofobia é uma delas. Portugal tem de mudar. Não basta convencermo-nos que somos um pais de brandos costumes. Uma sociedade mais justa e equitativa´tem de ser a prioridade. Um pais para todos, insisto. Talvez seja necessário dramatizar a situação para que algo mude. E não se pense que a questão é meramete teorica. O descontentamento existe e o bloqueio no acesso a oportunidades iguais para todos esta a introduzir, nas sociedades ocidentais, discriminações perigosas. Veja-se a violencia em França e nos suburbios das nossas cidades. Pedro, abrigado pelos teus comntários. Não quero que pensesn que estou a discutir contigo. descuto com o pais que somos e não desisto do pais com que sonho. :))))

Pedro Fontela disse...

Luis,

Para começar a mudança começa nas nossas vidas; já conheci um sem número de pessoas que se dizem tolerantes e no entanto não se coíbem de tomar parte em acções do mais racista e homofobico que existe. Pessoalmente não sou grande fã da forma como o governo britânico tem gerido a questão da integração. Acho que só ostraciza ainda mais os indivíduos em micro comunidades em que o factor cultural serve para perpetuar abusos.

Se mais dúvidas existem sobre a cegueira colectiva sobre as diferenças e os direitos iguais deixo-te um convite para passares pelo meu blog para veres o último post sobre o casamento homossexual e a segregação racial. Basta ver os comentários que para lá andam para perceber que existem coisas que só com muita luta é que irão ao sítio.

Luis disse...

Pedro. Ok, vou ver o teu blog. As politicas ani discriminação de Balir representaram um passo de gigante relativamente às politicas de Teacher e major. Mais, permitiram que muitos britânicos negros tivessem acesso a emprego, ao ensino e a cargos na administração pública. Um exemplo, no plano simbólico: foi bair quem escolheu a «presidente» da mais conservadora instituição inglesa, a Camara dos Lordes. A Speaker da Camara é uma mulher, negra e, espante-se, nasceu no Gana (salvo erro) tendo-se naturalizada britânica. Os gestos simbólicos também são importantes, como a recente eleição de um gay para a camara de Paris.

Pedro Fontela disse...

«...representaram um passo de gigante relativamente às politicas de Teacher e major»

Tens toda a razão! já me esquecia das duas "peças" que precederam Blair. Quando fiz o comentário estaba mais a pensar nos "guetos" muçulmanos que existem em Londres.

boss disse...

Uma nota um bocado à margem da vossa discussão. Eu não acredito que estamos perante um "ressurgimento da extrema-direita", estamos sim perante uma série de golpes mediáticos bem planeados e com a comunicação social a cair na esparrela quais tordos no primeiro voo da vida...

Do surgimento de um partido de extrema-direita nada de bom poderá vir. E todos sabemos que sim, eles têm margem para crescer, Portugal e Espanha são dos poucos países europeus onde a extrema-direita é residual (o que provavelmente também nos obriga a aturar um centro-direita muito mas reaccionário, mas...), mas bastará que esses grupos tenham atenção mediática para que isso deixe de ser assim. E na actual situação económica portuguesa seria extremamente perigoso...

boss disse...

Aliás, não só por causa da crise do país, mas também por causa da crise da direita e centro-direita partidárias...